Dom Joviano e o chamado à Igreja Missionária (2006-2012)

Joviano ainda adolescente em Uberaba. Imagem: Arquivo Metropolitano.

“Aqui se encontra a Igreja centenária de Ribeirão Preto: unida na fé, fortalecida na esperança, transformada pelo amor e pronta para a grande missão”. Proclamou dessa maneira Dom Joviano de Lima Júnior, SSS, diante de seu presbitério e da concentração de diocesanos, em 2008, durante a celebração do II Congresso Eucarístico da particular Igreja da qual foi o sétimo arcebispo metropolitano. Entre projetos pastorais, escritos e homilias, ele assiduamente desenvolveu a espiritualidade eucarística nos fiéis católicos a que governava, indicando-lhes a senda missionária como a autêntica vivência evangélica.

Joviano nasceu em 23 de abril de 1942 na cidade de Uberaba (MG), onde estudou em colégio diocesano dirigido pelos irmãos maristas. Cultivando sua devoção eucarística, ingressou ainda jovem na Congregação dos Sacerdotes do Santíssimo Sacramento. Inerente à formação religiosa, cumpriu os estudos filosóficos na capital mineira e logo depois partiu para São Paulo a fim de cursar teologia. Já na vivência que o espírito conciliar trazia à Igreja, foi ordenado presbítero em sua cidade natal em 08 de dezembro de 1969.

No exercício de seu ministério como sacerdote sacramentino, Pe. Joviano atuou como pároco nas paróquias às quais a Congregação lhe confiava. Logo, partiu para o exterior a fim de servir como missionário na Ásia e, então, conheceu e aplicadamente trabalhou em comunidades religiosas no Vietnã, na Índia, no Sri-Lanka e nas Filipinas, além de visitar alguns países africanos. Em Roma, especializou-se em liturgia no Pontifício Ateneu Santo Anselmo, sob a orientação dos monges beneditinos.

Ordenação presbiteral de Pe. Joviano. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Regressando ao Brasil, lecionou na Faculdade Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, e complementou sua formação licenciando-se em ciências sociais. Em serviço à Congregação a que pertencia, Pe. Joviano foi mestre de noviços e provincial e, então, foi eleito para o ofício de consultor geral dos padres sacramentinos e vigário geral congregacional. Destacado liturgista, teve suas obras difundidas e estudadas: nestas se centralizava no culto celebrativo eucarístico.

Então, o Papa João Paulo II o nomeou bispo da vacante Sé de São Carlos. Por imposição das mãos de Dom Geraldo Majella Agnelo, em 27 de dezembro de 1995, Dom Joviano foi ordenado bispo e logo passou a governar a sua diocese. Lá, trabalhou a fim de atualizar as pastorais e orientá-las, sobretudo as que se dedicavam ao batismo, além de enfatizar as atribuições do laicato nas atividades diocesanas. Ademais, procurou aumentar a presença da Igreja na sociedade a partir da criação de novas paróquias. Todavia, após dez anos exercendo esse ofício, foi eleito arcebispo de Ribeirão Preto por ocasião do acolhimento da renúncia de Dom Arnaldo Ribeiro. Tomou posse em 03 de junho de 2006, recebendo das mãos de seu antecessor as insígnias episcopais em um momento de caráter histórico, visto que pela primeira vez ocorria uma transição de arcebispos na Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Ordenação episcopal de D. Joviano, bispo eleito de São Carlos. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Dom Joviano desejou ouvir o clero para delinear o planejamento de sua pastoral. A emergência da organização do trabalho eclesial de cunho social na cidade foi tomada como prioridade, bem como a formação dos agentes de pastoral e o apelo à missionariedade nos diocesanos engajados. Preocupou-se com a tecnologia que surgia e, então, por sua ordem foi criado o site arquidiocesano para que as informações sobre atendimentos paroquiais e eventos pudessem ser mais facilmente acessadas.

A fim de cuidar do patrimônio artístico e arquitetônico da Igreja particular, Dom Joviano restaurou o cabido metropolitano e nomeou como cônegos onze padres de seu presbitério. Criou o Setor Juventude, reunindo diversos movimentos e grupos, para melhor trabalhar as ações pastorais voltadas aos jovens. Com o propósito de comemorar o centenário do bispado de Ribeirão Preto e cinquentenário da elevação a arcebispado, ele convocou um ano missionário chamado “Projeto SIM: Ser Igreja em Missão”. O trabalho foi desenvolvido por foranias, que prepararam seus agentes e desenvolveram as atividades propostas para o ano jubilar.

Foto oficial. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Dom Joviano resgatou uma devoção antiga em Ribeirão Preto ao instituir a Igreja São Benedito como templo votivo de adoração ao Santíssimo Sacramento. Tal como Dom Manuel da Silveira D’Elboux, segundo bispo diocesano, ele insistiu em aplicar e propagar entre o clero e os seus diocesanos a espiritualidade eucarística.

D. Arnaldo Ribeiro coloca a mitra em seu sucessor. Imagem: Arquivo Metropolitano.

Em sua carta pastoral A Eucaristia e a Igreja em Missão, o arcebispo reúne os dois pontos fundamentais de sua pastoral. Afirma, então, que “na comunhão do Espírito Santo, possamos viver o Amor como dimensão missionária da Eucaristia, buscando na Ceia do Senhor o Alimento necessário aos discípulos (as) missionários (as) do Reino do Pai” (p. 4). Nessa perspectiva, realizou-se o II Congresso Eucarístico na cidade episcopal – o primeiro havia acontecido em 1940 durante o governo de Dom Alberto José Gonçalves, primeiro bispo diocesano.

D. Joviano recebe o Pálio das mãos do Papa Bento XVI. Imagem: Arquivo Metropolitano.

Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), destacou-se por suas atividades nas comissões episcopais para a liturgia, nas quais atuou especialmente em matérias de textos litúrgicos, além de participar do conselho econômico da instituição. Esteve reunido com o episcopado de todos os países, no ano de 2008 em Roma, durante a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.

Em 2009, Dom Joviano presidiu a 13ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, na qual se traçaram os objetivos pastorais a serem alcançados, como o fortalecimento da pastoral familiar e a capacitação de lideranças católicas. Em seu tempo à frente do arcebispado, criou três paróquias e duas quase-paróquias e deu estado canônico ao trabalho religioso desenvolvido no Sítio Pau D’Alho, chamando-o Centro de Espiritualidade São José, em fevereiro de 2011.

Apesar de planejar as futuras ações pastorais para a particular Igreja de Ribeirão Preto, Dom Joviano foi acometido por rigoroso câncer, que lhe tomou grande parte de seu tempo e de sua disposição para o exercício episcopal. Ainda assim, com a ajuda dos padres, organizou as atividades para que se cumprissem todos os eventos eclesiais. Em seu último texto dirigido a padres e leigos, explicou que “a experiência de estar juntos para partilhar a missão encontra-se no ensino e na prática de Jesus” (Igreja-Hoje, julho – Ano 2012 – Nº 241), conclamando a Arquidiocese ao trabalho em unidade nas comunidades.

Durante o II Congresso Eucarístico, ao lado de D. Lorenzo Baldisseri, à epoca Núncio Apostólico. Imagem: PASCOM.

Em seu testamento espiritual, finalizado quando estava hospitalizado, ele escreveu: “Como Deus me prepara com generosidade para a minha partida”. Os sinos da Catedral Metropolitana tocaram no dia 21 de junho de 2012 anunciando a morte do arcebispo: Dom Joviano partia deixando a devoção eucarística e o apelo missionário à Igreja que governou.


Bruno Paiva Meni

Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”

FONTES

ARQUIVO METROPOLITANO “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”. Arquidiocese de Ribeirão Preto, Cúria Metropolitana, Caixa 12.

CORREIA, Côn. Francisco de Assis. História da Arquidiocese de Ribeirão Preto (1908-2008). Editora Grafcolor, 2008.

IGREJA-HOJE, nº 241, julho/2012.

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