Dom Moacir na Vigília Pascal: “Queremos seguir Jesus e ajudar as pessoas a se encontrarem com Ele”
Na noite do Sábado Santo, 03 de abril, a missa da Vigília Pascal na Catedral Metropolitana de São Sebastião, presidida pelo arcebispo Dom Moacir Silva, reuniu centenas de fiéis, na solene celebração que constitui o ponto alto do Ciclo Pascal e do Ano Litúrgico. Concelebraram o pároco padre Francisco Jaber Zanardo Moussa, e o vigário paroquial, padre João Marcos da Silva Carvalho. No início da celebração houve a bênção do fogo e o rito de acendimento do Círio Pascal, a procissão com o Círio Pascal, e na sequência o cântico do precônio pascal cantado pelo diácono Áureo, e em seguida as leituras (Liturgia da Palavra), a Liturgia Batismal com a renovação das promessas batismais.

Na homilia, dom Moacir evidenciou a importância da Vigília Pascal como a mãe de todas as vigílias. “Hoje vivemos um dia de silêncio e oração, em torno do sepulcro do Senhor, em companhia de Maria, em sua solidão meditativa. Este sábado de silêncio é importante porque ele une o crucificado ao ressuscitado. Agora estamos aqui celebrando esta solene Vigília Pascal, a celebração mais importante do ano, a mãe de todas as vigílias. Esta Vigília foi cuidadosamente preparada por todos nós, ao longo da Quaresma. Todo um itinerário de reflexão, oração, vivência da caridade e busca de conversão, durante quarenta dias, nos preparou para esta noite. Iniciamos esta Vigília com a bênção do fogo. Com esse fogo acendemos o Círio Pascal, no qual vemos o Cristo ressuscitado. Com este fogo novo, luz que ilumina todo o ser humano, cantamos a proclamação da Páscoa dando firmeza à nossa esperança. Nesta Vigília Pascal, celebramos a totalidade do mistério de Cristo. Celebramos a morte e a vida”.

Ao refletir a Palavra de Deus no Evangelho, o arcebispo exaltou a figura das mulheres como protagonistas do anúncio da ressurreição. “O Evangelho da ressurreição de Jesus Cristo começa referindo o caminho das mulheres para o sepulcro, ao alvorecer do dia depois do sábado. As mulheres – diz o Evangelho – ‘foram visitar o sepulcro’ (Mt 28, 1). Pensam que Jesus Se encontre no lugar da morte, e que tudo tenha acabado para sempre. Às vezes acontece-nos, também a nós, pensar que a alegria do encontro com Jesus pertença ao passado, enquanto aquilo que o presente nos dá a conhecer são sobretudo túmulos selados: os túmulos das nossas desilusões, amarguras e difidência, os túmulos do ‘não há mais nada a fazer’, ‘as coisas não mudarão jamais’, ‘melhor gozar o dia a dia’ porque ‘do amanhã não estamos seguros’. Também nós, se fomos angustiados pela dor, oprimidos pela tristeza, humilhados pelo pecado, amargurados por algum fracasso ou pressionados por alguma preocupação, experimentamos o gosto amargo do cansaço e vimos a alegria apagar-se no coração”.

O arcebispo ainda acrescentou: “Vemos assim o que faz a Páscoa do Senhor: impele-nos a seguir em frente, sair da sensação de derrota, rolar a pedra dos sepulcros onde muitas vezes encerramos a esperança, olhar o futuro com confiança, porque Cristo ressuscitou e mudou a direção da história; mas, para o conseguir, a Páscoa do Senhor leva-nos ao nosso passado de graça, faz-nos regressar à Galileia, onde teve início a nossa história de amor com Jesus, onde ocorreu o primeiro chamamento. Por outras palavras, pede-nos para reviver o momento, a situação, a experiência em que encontramos o Senhor, experimentamos o seu amor e recebemos um olhar novo e luminoso sobre nós mesmos, sobre a realidade, sobre o mistério da vida. Irmãos e irmãs, para ressuscitar, recomeçar, retomar o caminho, precisamos sempre de voltar à Galileia, isto é, voltar, não a um Jesus abstrato, ideal, mas à memória viva, à memória concreta e palpitante do primeiro encontro com Ele. Sim, para caminhar devemos recordar; para ter esperança devemos nutrir a memória. E este é o convite: recorda e caminha! Se recuperares o primeiro amor, o deslumbramento e a alegria do encontro com Deus, seguirás para a frente. Recorda e caminha. Recorda a tua Galileia, e caminha para a tua Galileia (Papa Francisco, Vigília Pascal 2023)”.
Ao finalizar a homilia dom Moacir se dirigiu aos fiéis e disse: “Que esta celebração pascal nos fortaleça em nossa caminhada e nos conserve sempre unidos no amor com que Cristo nos amou para anunciarmos o seu evangelho, a sua pessoa, vida, morte e ressurreição. Queremos realizar e celebrar o encontro pessoal com ele, nesta celebração, encontro que nos faz melhores discípulos-missionários. Queremos segui-lo e ajudar as pessoas a se encontrarem com Ele. Que o Senhor nos ajude, hoje e sempre. Amém!”




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