Dom Moacir participa da reunião do Conselho Permanente da CNBB

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esteve reunido nos dias 16 e 17 de junho, para mais uma reunião ordinária virtual. O arcebispo Dom Moacir Silva participou da reunião como representante do Regional Sul 1 da CNBB.

Dia 16 – Período da Manhã

No início do encontro (16),  o núncio apostólico no Brasil, dom Giambatistta Diquattro, dirigiu uma palavra aos bispos a partir do contexto social e eclesial da atualidade, com forte polarização. Dom Giambatistta fez um convite: “vivamos nossa vocação como filhos de Deus e como operadores de paz”.

Dom Diquattro iniciou falando do sentimento de “proximidade e participação do Santo Padre Francisco com o drama que estamos vivendo nesses dias no Brasil”. Da parte do Papa, o encorajamento para continuar dando testemunho de Cristo e do Evangelho.

“O prolongar-se da pandemia em todo o mundo e o reacender de contágios em territórios que antes era quase isentos, segundo o núncio, aumenta a sensação de insegurança e instabilidade, o que é confirmado pelas consequências sociais e econômicas muito dolorosas e, muitas vezes, desastrosas”, observou.

Polarização

Olhando para o contexto sociopolítico da América Latina, dom Giambatistta falou sobre a polarização no Brasil, que “se tornou um risco não só para a democracia do país, mas também para a sua capacidade de lidar com seus desafios políticos mais urgentes, como a pandemia do coronavírus”. Mesmo sem querer focar nos aspectos sociopolíticos, o núncio apostólico quis refletir sobre o fato de que “o risco da polarização é um desafio global experimentado em cada país com suas próprias características e, portanto, também no Brasil esse risco se apresenta com possíveis consequências prejudiciais”.

Lembrando das vítimas da pandemia e do sofrimento das pessoas, “uma angústia que tira o sono e reaviva o afeto e a solidariedade”, dom Giambatistta falou da busca por paz e bem estar. Para isso, há um caminho que “se realiza em colaboração, em fraternidade, para encontrar a vacina do corpo, do coração e da alma”. É através do diálogo, segundo o embaixador da Santa Sé, que a humanidade busca superar qualquer polarização, “que fere o coração da humanidade e compromete seu futuro”.

“Colaboração e diálogo, que significam respeito e reconhecimento das diferenças e busca conjunta do bem comum. Todos nós compartilhamos o amor pelo Brasil, pelo nosso povo, todos temos no coração o futuro do Brasil. É o desejo de paz que distingue o povo. Todos nós temos em comum a fé em Deus e a vontade de defender a dignidade da pessoa humana, que encarna a face de Deus. É precisamente isso que nos une e nos impulsiona a sermos não apenas promotores do diálogo, mas artífices do diálogo, vivendo uma autêntica cultura do encontro, conscientes de que o Pentecostes da humanidade prevalece sempre sobre o conflito e a polarização”, ressaltou.

Operadores de paz

O convite de dom Giambatistta é que “não nos aprisionemos em padrões e circunstancia conflitivas, mas vivamos nossa vocação como filhos de Deus e como operadores de paz”. Na profundidade de todo diálogo sincero, pontou, há reconhecimento, respeito, amor pelo outro. “Acima de tudo, há o heroísmo do perdão e da misericórdia que nos liberta do ressentimento e do ódio e nos abre um caminho verdadeiramente novo. É um caminho longo e difícil, que requer paciência e coragem, mas é o único que pode levar à paz e à justiça. Para o bem do Brasil e para o futuro de todos os brasileiros, devemos promover essa consciência, treinar nessa academia e viver com essa coragem”, disse.

Temas da reunião

Após a intervenção do núncio apostólico, a reunião do Conselho Permanente seguiu com a Análise de conjuntura social, apresentada pelo bispo de Carolina (MA), dom Francisco Lima.

Na sequência, a nova diretoria da Associação Nacional de Educação Católica (Anec) apresentou-se aos bispos. A entidade teve um encontro com a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação da CNBB e levou ao Conselho Permanente informações sobre sua atuação institucional na defesa de educação de excelência e na incidência política, institucional e internacional. Houve um pedido para unir forças em iniciativas comuns. A Anec foi representada pelo presidente, padre João Batista Gomes; pela presidente do Conselho Superior, irmã Irani Rupolo; e o secretário, Guinartt Diniz.

Alguns bispos aproveitaram o contato com a diretoria da associação para ressaltar o trabalho realizado pelas escolas católicas em todo o Brasil. São mais de 1,5 milhão de alunos no país.

Ainda durante a manhã, o bispo de Tubarão (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, dom João Francisco Salm, apresentou a avaliação da 58ª Assembleia Geral da CNBB. A equipe responsável pelo processo, composta por dom Salm, dom Gilson Andrade, padre Dirceu Oliveira e irmã Valéria Leal, compilou as avaliações e sugestões referentes à Assembleia Geral da CNBB realizada, pela primeira vez, de forma on-line.

Dom Salm explicou a metodologia e os itens avaliados. Foram 254 respostas, das quais 95% consideraram a assembleia com conceitos “ótimo e bom”. Alguns itens não alcançaram este nível de aprovação. Por meio do método de medição NPS, a assembleia atingiu 72 pontos, o que significa que o evento teve qualidade, mas pode melhorar.

A partir das caixas de texto contidas no formulário de avaliação, dom Salm destacou os agradecimentos, os elogios, e também as desaprovações, críticas e sugestões.

Outro tema da reunião foi a apresentação do informe econômico da CNBB, apresentado pelo ecônomo, monsenhor Nereudo Freire Henrique, que também abordou a atuação da equipe de gestão na sede da entidade.

Encontro de Parlamentares

A partir de uma indicação da 5ª Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe, em 2007, o Conselho Episcopal Latino Americano (Celam) incentiva a realização de encontro com parlamentares católicos. Em âmbito continental, houve uma primeira reunião em Bogotá, na Colômbia, no ano de 2017, e a segunda, no Paraguai, em 2019. Aqui no Brasil, ocorrerá pela primeira vez nos dias 16 e 17 de setembro, de forma virtual.

O Encontro de Parlamentares Católicos a Serviço do Povo Brasileiro terá representação de lideranças políticas dos vários níveis do Poder Legislativo e todas as regiões do país. Busca-se também a pluralidade partidária. O assessor político da CNBB, padre Paulo Renato Campos, apresentou a programação preparada para o evento e ressaltou o pedido para Comissões, organismos e regionais enviarem suas contribuições para o encontro.

Pastoral Carcerária

O último tema da manhã foi um pedido de apoio da Pastoral Carcerária, após a decisão do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) que propôs substituir as visitas religiosas aos cárceres por “sistemas fechados de áudio na forma de rádios ecumênicas”. A Pastoral Carcerária iniciou uma proposta de recolhimento de assinaturas numa carta aberta, que deve receber apoio dos bispos. A decisão do órgão é considerada uma lesa ao direito de assistência religiosa e também pode comprometer o que está estabelecido no Acordo Brasil-Santa Sé.

“A assistência da Pastoral Carcerária é bem especifica, além de ser esse encontro pessoal é também essa voz daqueles que estão nos cárceres”, pontou o bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora, dom José Valdeci Santos Mendes, que pediu atenção à temática como Igreja.

O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirmou que levará o tema para o Observatório dos Direitos Humanos do Poder Judiciário.

Dia 16 – Período da Tarde

A reunião do Conselho Permanente da CNBB seguiu na parte da tarde do dia 16 de junho. Na ocasião, dom João Francisco Salm, presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, apresentou a proposta do Ano Vocacional 2023, a ser realizado de 20 de novembro de 2022 a 26 de novembro de 2023, finalizando na solenidade de Cristo Rei.

Dom Salm explicou que a Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada elaborou um regimento para orientação e favorecimento das atividades. O regimento prevê a composição de uma coordenação geral; uma comissão central, para cuidar do planejamento e da organização do Ano; e comissões de trabalho.

Na sequência, os membros do Conselho puderam falar sobre suas expectativas com relação ao Ano Vocacional. Dom José Carlos Campos, bispo de Divinópolis (MG), sugeriu que o Ano focasse no trabalho das equipes vocacionais paroquiais e desse pistas para um trabalho vocacional de fato. “Precisamos criar pistas para ajudar criar links fecundos com adolescentes e jovens”.

Dom João Cardoso, bispo de Bom Jesus da Lapa (BA), disse que a equipe organizadora poderia aproveitar as contribuições do IV Congresso Vocacional do Brasil, a exemplo de criar uma cultura vocacional eficiente. ”Não podemos perder o foco da vocação sacerdotal e específica”.

Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina (PR), salientou que em tempos de missionariedade era importante que o Ano respondesse generosamente à questão missionária e fosse ao encontro de outras realidades. “Seria muito interessante uma campanha de fato nesse sentido, pois cresce o chamado para sermos missionários”.

Dom Salm agradeceu as contribuições e deixou claro que a proposta era atender a cada vocação específica. Já o padre João Cândido Neto, assessor da Comissão para os Ministérios ordenados e a Vida Consagrada, disse que desde a aprovação do Ano, a Comissão tem se reunido e pensado num tema que pudesse levar em conta o momento vivido pela Igreja, sobretudo para dar uma resposta de ânimo e importância no tempo da pandemia. “Nós estamos pensando a escolha de um tema, levando em conta esse aspecto da comunhão e missionariedade de toda a Igreja”, disse. O objetivo, segundo o padre, era que o tema contemplasse a todos, num espírito de comunhão.

Cartilha para as eleições 2022

Como de costume, a cada eleição, o regional Sul 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) oferece uma cartilha com orientações políticas para os cristãos católicos. A produção do material tem a participação e colaboração da Assessoria Política da CNBB Nacional, a pedido da presidência da entidade. O subsídio é destinado a eleitores e candidatos, grupos de reflexão, paróquias e comunidades.

Na reunião do Conselho, além da Cartilha do Sul 2, os membros discutiram a legitimidade, por parte da Conferência, do material elaborado pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Camara (Cefep) e a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP). “Nas eleições passadas nós elaboramos uma espécie de texto-base e o mesmo ainda não foi assumido de forma oficial pela presidência da CNBB. Gostaríamos de abrir uma discussão quanto a isso e a proposta é que além da do Sul 2, nós abraçássemos esse produzido pelos três organismos”, disse dom Giovane Melo, presidente da Comissão para o Laicato da CNBB.

Sônia Oliveira, presidente do CNLB, acrescentou que o material produzido pelos três organismos teve mais de 1000 visualizações diárias no site do CNLB. “Mais de 80 mil downloads no site. Houve uma aceitação muito boa e, por isso, gostaríamos de fazer essa intervenção aqui”, disse.

Na ocasião, os membros do Conselho partilharam suas impressões. Dom Mario Spaki, bispo de Paranavaí (PR) concordou que uma opção não inviabilizaria a outra. Dom José Antônio Peruzzo, arcebispo de Curitiba (PR), também não viu problema com a existência dos dois textos. “É uma oferta de reflexão e é bom que o façam. Não necessariamente um vá entrar em conflito com o outro. São duas reflexões diferenciadas e que certamente ajudarão o nosso povo”.

Dado o exposto, o Conselho acatou a iniciativa e dom Walmor de Oliveira Azevedo, presidente da CNBB, deixou a recomendação de que o Sul 2 e os organismos se articulassem da melhor forma para que pudessem oferecer os próximos materiais, mesmo que cada um a sua forma.

Comissão para a Comunicação da CNBB

Dom Joquim Giovani Mol, presidente da Comissão para a Comunicação da CNBB, apresentou alguns informes e ações da Comissão aos membros do Conselho.

Mutirão de Comunicação – Na ocasião, falou que o Mutirão de Comunicação 2021, que acontecerá nos dias 23 e 24 de julho, já conta com 2.312 inscritos, e que esse era “seguramente o maior evento de comunicação da Igreja no Brasil”. Disse ainda que o evento busca reunir todas as frentes de comunicação: assessoria, membros da pastoral da comunicação, jornalistas. “Esperamos que possamos ter no final de julho um momento muito importante e bonito de compromisso com a ação evangelizadora”.

Prêmios de Comunicação – A 53ª edição dos prêmios de Comunicação da Conferência também foi abordada por dom Mol. “Os prêmios são uma forma privilegiada de diálogo da CNBB para fora”, disse. O bispo explicou que esta edição será realizada em modalidade virtual, o que é exclusivo. “Identificado os ganhadores dos prêmios, nós vamos solicitar ao bispo de onde mora o ganhador do prêmio para entregar a ele o prêmio em nome da CNBB. Essa entrega será filmada pela TV Pai Eterno, que irá depois fazer uma transmissão em sua grade”, explicou.

1º censo das rádios de inspiração católica no Brasil – Dom Joaquim Giovani Mol convidou a Angela Morais, presidente da Rede Católica de Rádios (RCR), para apresentar ao Conselho a ideia de se realizar um censo, a fim de mapear as rádios católicas do Brasil. “Estamos elaborando um esquema, um roteiro para fazermos um censo das rádios católicas no Brasil, para que elas sejam melhor aproveitadas pelas igrejas do Brasil”, disse dom Mol.

Angela apresentou aos bispos um histórico da RCR, sua motivação. Disse que, atualmente, cerca de 300 emissoras estão vinculadas à RCR e que 50 emissoras transmitem o Jornal Brasil Hoje, da RCR. “Não temos um número concreto de emissoras e enxergamos que um censo é o caminho para mapeá-las”, disse.

A ideia é que para a realização do censo, a RCR trabalhe em parceria com a CNBB, a fim de contar com a força institucional da Conferência para envolver as emissoras e alcançar as devolutivas.

O Conselho, de uma forma geral, aprovou a ideia.

É tempo de Cuidar

Dom Mário Antônio da Silva, vice-presidente da CNBB, apresentou alguns números da Ação Solidária Emergencial “É tempo de Cuidar”, que chegou em sua segunda fase. Também convidou dois membros da Cáritas Brasileira, entidade que também ajuda a promover a iniciativa, para falar sobre a perspectiva da Campanha.

Irmã Cleusa, da Cáritas, falou sobre a Semana de Mobilização, realizada de 8 a 12 de junho e seus frutos. Já o Magalhães, da Cáritas Brasileira, apresentou os dados gerais da Campanha. Até o momento já foram mais de 1 milhão e 800 mil itens alimentícios arrecadados.

Repam

Também durante a reunião, o Conselho Permanente aprovou a recondução dos membros que farão parte da diretoria da Rede Eclesial Pan-Amazônica, a Repam. São eles: dom Erwin Kräutler, como presidente; dom Roque Paloschi, como secretário e dom Mário Antônio da Silva, como ecônomo.

Dia 17 – Período da Manhã

O Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que compreende o Estado do Espírito Santo, foi oficializado canonicamente, na quinta-feira, 17 de junho, com a aprovação do regulamento pelo Conselho Permanente da entidade.

Após envio da proposta de regulamento para o novo Regional, aprovado na última Assembleia Geral da CNBB, a Comissão Jurídica não fez observações relacionadas ao conteúdo da proposta, mas indicou alterações de ordem terminológica em alguns artigos. Assim, o Conselho Permanente aprovou o regimento e delegou à Comissão que faça as devidas alterações no texto.

Além do documento normativo para o funcionamento do Regional Leste 3, foi aprovada a Presidência escolhida no dia 25 de maio: dom Dario Campos, arcebispo de Vitória (ES), o presidente; dom Paulo Bosi Dal’Bó, bispo de São Mateus (ES), o vice-presidente; e dom Luiz Fernando Lisboa, bispo de Cachoeiro de Itapemirim (ES), secretário.

No mês de agosto, serão realizados os procedimentos para a aquisição da personalidade civil do novo regional, cuja sede será em Vitória (ES). Em data ainda a ser definida, entre dezembro deste ano e janeiro de 2022, haverá a celebração pastoral pela instalação do Regional Leste 3 da CNBB.

Dom Dario Campos agradeceu e manifestou alegria pela criação do novo regional. Ele ressaltou a “experiência fecunda” das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), as quais são reconhecidas como um dom do Espírito Santo. “É um espaço fecundo da atuação e participação do leigos e leigas, nas quais todas as forças vivas da Igreja se encontram presentes e articuladas em vista do anuncio do Evangelho do Reino. As nossas comunidades são esse espaço que alimenta o espírito missionário dos discípulos e discípulas com a Palavra de Deus e a Eucaristia”.

“Acreditamos que o Regional Leste 3 irá proporcionar ainda mais uma vivência de comunhão, de solidariedade, de participação no coração da Igreja capixaba, algo que já vivenciamos e reconhecemos desses passos de organização pela presença e colaboração dos bispos e administradores diocesanos”, disse dom Dario. O arcebispo também agradeceu pela “participação de vida e de comunhão do Regional Leste 2”, que teve “uma grande contribuição na criação do Regional Leste 3”. Dom Daria também pediu à Virgem da Penha, padroeira do Espírito Santo, que interceda pelo novo Regional, “a fim de que sejamos fiéis no seguimento de Jesus Cristo”.

Campanha da Fraternidade 2022

Na sequência da reunião do Conselho Permanente, foram apresentados a oração e o sumário do texto-base da Campanha da Fraternidade 2022, cujo tema é “Fraternidade e Educação”. Os bispos receberam a décima versão do texto que irá conduzir as reflexões da Campanha do ano que vem e poderão identificar ausências, sugerir acréscimos e indicações, até o dia 25 de junho.

Novo Estatuto

Outro tema da manhã de quinta-feira foi o Novo Estatuto da CNBB. O processo de elaboração chega à terceira etapa, com a aprovação de uma Comissão de Peritos e posterior Formulação Jurídico Canônica do Estatuto e do Regimento da Conferência, entre os meses de julho e outubro.

A equipe de trabalho indicou uma série de peritos, entre canonistas, especialistas na área jurídica civil, teólogos e pastoralistas. São bispos, padres, leigas e leigos. Junto com a Comissão de Peritos também haverá uma equipe de consultores para auxiliar no processo de formulação do texto. Os membros do Conselho Permanente indicaram outros nomes à lista proposta, os quais serão articulados pela equipe que coordena o processo de elaboração do novo estatuto.

Expressões carismáticas

O Conselho Permanente também aprovou na manhã de quinta-feira, 17, a criação de um grupo de trabalho que irá refletir sobre as expressões carismáticas na Igreja no Brasil. A ideia surgiu partir do contato do bispo de Tocantinópolis (TO) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato da CNBB, dom Geovane Pereira de Melo; do secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado; do bispo de Paranavaí (PR), dom Mário Spaki, referencial para o Serviço de Comunhão Charis no Brasil; e do bispo auxiliar de Brasília, dom José Aparecido Gonçalves Almeida.

A proposta é refletir sobre as expressões ligadas à Renovação Carismática e aos carismas pentecostais na Igreja no Brasil, tratando de questões relacionadas à doutrina, liturgia e compromisso social, por exemplo. Desses grupos, segundo dom Geovane, nasceram ministérios, serviços e novas comunidades, cujas expressões “têm uma forte presença nos meios de comunicação social e forte influência na forma de pensar de uma grande parte dos fiéis católicos”.

Sínodo

As atividades da manhã foram concluídas com um encontro dos bispos com a Secretaria do Sínodo, que falou sobre o processo de preparação para a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, cujo tema proposto pelo Papa Francisco é “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Direto de Roma, contataram os bispos o secretário geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, e os subsecretários monsenhor Luis Marìn de San Martin e irmã Nathalie Becquart. Eles explicaram sobre as motivações para a assembleia sinodal, reconheceram o processo da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe e incentivaram a contribuição do Brasil. A secretaria do Sínodo ainda deseja que o processo do sínodo ajude também “a sentir toda a Igreja a dar uma resposta nesse momento que estamos vivendo”.

Confira a carta sobre o próximo sínodo: Nota do Sínodo dos Bispos (21 de maio de 2021)

O cardeal Mario Grech ressaltou que o Sínodo é uma experiência de um caminho de escuta. “Nós vamos caminhar com vocês, escutar essa experiência porque sabemos que todos tem muito a falar. O sínodo não é apenas um evento celebrado em Roma, mas um processo que envolve toda a Igreja. É por esse motivo que abrimos a primeira fase da consulta do povo de Deus nas Igrejas particulares, será a primeira fase”, explicou.

Dia 17 – Período da Tarde

Na tarde do último dia do Conselho Permanente (17 de junho), os bispos trataram sobre o regimento do Instituto Nacional de Pastoral, o Inapaz.

Dom Walmor de Oliveira Azevedo, presidente da Conferência, disse que desde junho de 2019 há o esforço para que o instituto contribua como assessoria teológica e pastoral da CNBB.

“Consideramos muito importante o exame, juízo e indicações por parte do Conselho porque é muito importante ter uma instância de peritos, levando em conta os desafios dos últimos tempos”, disse dom Walmor.

Apresentando o regimento aos bispos, padre Danilo Pinto explicou que, com relação à natureza e naturalidade, o instituto é um organismo técnico de assessoria teológica e pastoral.

O regimento também prevê a composição do conselho diretor e atividades inerentes ao Inapaz (reflexões teológicos-pastorais, pesquisa interdisciplinar, produção da análise de conjuntura eclesial, realização de seminário teológico-pastoral, produção de subsídios e estudos e produção de conhecimentos sobre a CNBB).

O Conselho aprovou o regimento e fez algumas considerações e ressalvas. Também foram aprovados os nomes para diretor e secretário executivo do Inapaz, respectivamente. São eles: dom Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília (DF) e o padre Danilo Pinto, da arquidiocese de Salvador (BA).

Carta ao Congresso

O Conselho Permanente tratou também sobre a aprovação de uma carta a ser dirigida ao Congresso Nacional, com o objetivo de propor que o mesmo retire da pauta projetos de regularização fundiária. A proposta é segundo o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, que a carta apresente as preocupações com a defesa dos povos indígenas, da floresta.

“A carta recorda que os bispos da Amazônia já fizeram uma manifestação ao Senado e reafirmam a preocupação com os outros projetos que circulam. A preocupação é com o momento que o Brasil vive, com o número de mortes. Além disso, fazemos um pedido ao Congresso para que esses projetos sejam retirados de pauta e que se espere um momento oportuno para se realizar um amplo debate, uma ampla discussão com a população”, explicou dom Ionilton.

A carta será publicada, em breve, no portal da Conferência.

Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe

Dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina (PR), falou sobre a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe e os princípios de renovação. “É um trabalho em chave sinodal para favorecer a responsabilidade eclesial e o diálogo permanente com as Conferências Episcopais”.

A Assembleia se realizará de 21 a 28 de novembro no entorno do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México e quer relembrar o que aconteceu na V Conferência Geral de Aparecida, e contemplar a realidade com seus desafios.

Dom Geremias ressaltou que a Assembleia é um trabalho da América Latina como um todo e falou sobre o processo de escuta, base do discernimento. Na sequência, padre Marcus Barbosa, secretário adjunto da CNBB, disse que sentiu uma grande mobilização de dioceses, regionais, movimentos no processo central da Assembleia, que é o movimento de escuta.

Padre Marcus relembrou a extensão do processo de escuta, que era até junho e agora segue até o dia 30 de agosto, o que segundo ele tem facilitado o trabalho da Comissão organizadora.

Sínodo dos Bispos

Também na parte da tarde, dom Joel Portella Amado, secretário-geral da Conferência, falou sobre o itinerário sinodal para a XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, previsto para ocorrer em outubro de 2022, com o tema “Por uma igreja sinodal: comunhão, participação e missão”.

Alguns prazos e datas foram apresentados, como a questão da abertura, a etapa nas igrejas locais, instrumentum laboris e reuniões entre as conferências.

Dom Joel apresentou também a equipe de animação do Sínodo, que deverá recolher contribuições vindas das dioceses e produzir um material.

Associação de médicos brasileiros católicos

Ainda durante a reunião do Conselho foi aprovada a proposta da criação de uma Associação de Médicos Brasileiros Católicos.

A tentativa, de acordo com dom Ricardo Hoepers, bispo de Rio Grande (PR), é que os médicos se organizem, tenham um estatuto nacional e sejam reconhecidos pela CNBB, para que possam se reunir e realizar suas atividades.

A proposta foi submetida à votação do Conselho e foi aprovada, ad experimentum, com a condição dos canonistas da Conferência ajustarem o estatuto da Associação.

Fonte: CNBB

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