Dom Moacir participa da última reunião deliberativa do Conselho Permanente da CNBB de 2022

Dom Moacir participa da última reunião deliberativa do Conselho Permanente da CNBB de 2022

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou na quarta-feira e quinta-feira, 23 e 24 de novembro, reunião ordinária, virtualmente, na qual participam os membros da presidência da CNBB, os presidentes das Comissões Episcopais Pastorais e os presidentes dos 19 regionais. O arcebispo dom Moacir Silva participou da reunião como representante eleito do Conselho Episcopal do Regional Sul 1 (CONSER).

Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil

Foi aprovada, por unanimidade, a atualização do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, o Documento 99 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O Conselho Permanente da CNBB decidiu positivamente em relação ao processo realizado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação e o Grupo de Reflexão em Comunicação (Grecom).

O bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para a Comunicação da CNBB, dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, ressaltou que o material aprovado não é um novo diretório, mas o mesmo documento aprovado em 2014 com as atualizações necessárias. São quatro as principais: incluir o magistério do Papa Francisco sobre comunicação; abordar novos elementos sobre a dinâmica de comunicação na atualidade, especialmente no que tange à comunicação digital; situar melhor a comunicação como uma realidade estratégica no processo de evangelização, e não apenas como ferramenta; e ajustar e harmonizar a linguagem, evitando contradições entre termos, parágrafos e assim por diante.

O doutor em Comunicação e atual coordenador do Grecom, Moisés Sbardelotto, contextualizou o trabalho feito pelo Grecom, no “esforço de qualificar e atualizar o Diretório”, considerando que a comunicação é um processo muito rápido e dinâmico. Além do magistério do Papa Francisco, Sbardelotto apontou como contribuições as reflexões sobre fenômenos atuais, como o período da pandemia, os aspectos negativos do ambiente digital, a desinformação, problemáticas novas que surgiram na última década e a necessidade de o diretório apontar luzes também do ponto de vista pastoral.

Colocado em votação, após ser encaminhado com antecedência aos bispos para contribuições e indicações de mudanças, o texto foi aprovado sem ressalvas, nem votos contrários. Dom Walmor destacou que o trabalho da Comissão e da Assessoria de Comunicação da CNBB tem aberto “um novo caminho” no contexto da comunicação estratégica.

Análises de conjuntura

Outro tema da reunião iniciada na manhã desta quarta-feira foi a Análise de Conjuntura Sociopolítica, cujo tema foi “A salvaguarda da democracia e os novos enfrentamentos do porvir”. O material apresentado pelo bispo de Carolina (MA), dom Francisco Lima Soares, abordou a “tomografia da realidade brasileira” a partir do resultado das eleições deste ano, contexto marcado pelas fake News, a contestação da segurança do voto eletrônico e a escalada da violência.

Também foi tratado o cenário para o novo governo em 2023, com as áreas da saúde e da educação com menor orçamento dos últimos 20 anos e desafios como déficit projetado em 63,7 bilhões de reais e o crescimento das desigualdades. Mas o maior desafio é político, segundo a análise: “construção de um governo diferente do que já se praticou, capaz de abrigar interesses heterogêneos”.

A análise ainda indicou o papel da Igreja em colaborar permanentemente na promoção de um mundo digno e em que reine a justiça e a paz, acessíveis para todos. O documento na íntegra pode acessado aqui.

Já a análise de conjuntura eclesial tratou da “Sinodalidade – mecanismos de participação – conselhos e assembleias no contexto das Igrejas particulares“. As doutoras Maria Inês de Castro Millen e Maria Clara Bingemer expuseram as indicações de pontos fortes e fragilidades no cenário interno, bem como as oportunidades e fragilidades no cenário externo a partir da síntese brasileira da escuta para o Sínodo 2021-2023. Foram analisadas as respostas que tratam da participação eclesial na escuta e na fala; no âmbito da caridade, da solidariedade e da vida social; e também na catequese, nas celebrações e na formação cristã.

O último tema da primeira manhã deste último Conselho Permanente do ano foi a avaliação da etapa presencial da 59ª Assembleia Geral da CNBB. De forma geral, todos os aspectos foram majoritariamente avaliados de forma positiva.

Ensino religioso no Brasil

Na segunda seção da reunião do Conselho Permanente, no período da tarde, foi apresentado aos bispos pelo Setor Ensino Religioso da Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da CNBB o estudo: “Ensino Religioso: fundamentos e métodos”. O documento de 70 páginas é organizado em três capítulos (história e pressupostos, modelos de ensino religioso e formação de professores). O documento ainda será apreciado pelo episcopado brasileiro e será colocado para aprovação na reunião do Conselho Permanente de março de 2023.

“Ao seu lado” – Plano de Evangelização da Pastoral Juvenil 2023-2025

A Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude apresentou o processo de construção e o novo Plano de Evangelização da Pastoral Juvenil para 2023-2025 – “Ao seu lado”. De acordo com o bispo de Valença (RJ) e presidente da Comissão, dom Nelson Francelino Ferreira, o processo de escuta para a construção do plano feito nas dioceses, regionais e em um encontro nacional em março deste ano que buscou fazer a sistematização final do documento.

40 anos do Documento Catequese Renovada

Em 2023, celebra-se 40 anos do documento 26 da CNBB “Catequese Renovada”, aprovado em sua 21ª Assembleia Geral, em 1983. “Queremos retomar o que significou esse momento para a valorização da catequese renovada no Brasil”, disse o arcebispo de Curitiba (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, dom José Antônio Peruzzo. O documento foi inspirado nas orientações do Concílio Vaticano II, das Conferências de Medellín e de Puebla e na Exortação de João Paulo II sobre a Catequese. Foi também enriquecido em três Assembleias Gerais da CNBB, contando com sugestões das dioceses e dos catequistas de várias partes do Brasil. A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética propõe um processo para fazer memória e apontar desafios e pistas de trabalho para o futuro.

1º Encontro Nacional de Assessores Jurídicos das Dioceses

O secretário-Geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, comunicou sobre a realização do primeiro Encontro Nacional dos Assessores Jurídicos das Dioceses (ENAJD), promovido pela CNBB de 8 a 10 de novembro, em Brasília (DF). O evento contou com a participação de mais de 200 profissionais do Direito que atuam nas Igrejas particulares do país. Dom Joel falou também sobre as temáticas a serem abordadas: Relação Estado e Igreja; Questão tributária; Questões trabalhistas; Questões Urbanísticas; Questão da personalidade jurídica das organizações religiosas; Responsabilidade civil das organizações religiosas; Relevância Jurídica dos Novos Mecanismos de Escrituração Contábil; Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – Aspectos Gerais de Interesse da Igreja, Gestão de Crise de Comunicação e direitos autorais, entre outros.

Homologação do regulamento do Comina

A Comissão Episcopal para a Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial apresentou algumas atualizações no regulamento do Conselho Missionário Nacional (Comina) no contexto do Ano Jubilar Missionário (2022) para homologação do Conselho Permanente. As alterações foram aprovadas pelo Conselho Permanente. O documento ainda passará pela apreciação do arcebispo de Ribeirão Preto (SP) e presidente da Comissão de Redação do Estatuto da CNBB, dom Moacir Silva.

Outros assuntos discutidos durante a tarde foram o processo de apreciação do texto sobre as pessoas homossexuais, o processo de gestão e contabilidade implantado na CNBB e a cerimônia de entrega da 54ª edição dos Prêmios de Comunicação da CNBB.

60ª Assembleia Geral da CNBB e CF-2024

No segundo e último dia (24) da reunião do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) os bispos decidiram sobre o formato de realização da 60ª Assembleia Geral da entidade e definiram o tema e o lema da Campanha da Fraternidade 2024 (CF 2024).

Para a assembleia, foi escolhido o tradicional encontro com 10 dias de duração, presencialmente, de 19 a 28 de abril. Uma novidade é que os bispos poderão deliberar sobre a realização de uma etapa virtual, a ser realizada no mês de agosto, caso haja necessidade.

Para a CF 2024, quando serão celebrados os 60 anos de realização das Campanhas da Fraternidade, foi escolhido o tema “Fraternidade e amizade social” e o lema”Vós sois todos irmãos e irmãs” (Cf Mt 23,8).

60ª Assembleia Geral

No início da reunião, foram apresentadas as propostas de formato para a realização da 60ª Assembleia Geral da CNBB: novamente em duas etapas, uma virtual e outra presencial, ou a realização totalmente presencial, em 7 ou 10 dias. Até o momento, são oito temas na pauta da Assembleia, entre eles, a eleição dos membros da Presidência e dos presidentes das 12 Comissões Episcopais Pastorais. Assim, a escolha levou em consideração a necessidade de debater os temas, garantir os momentos de oração e de convivência entre o episcopado.

A maioria votante escolheu o tradicional formato em 10 dias de encontro, de 19 a 28 de abril, em Aparecida (SP). Caso seja necessário, a própria assembleia geral poderá definir a realização de uma segunda etapa, dessa vez virtual, entre os dias 21 e 25 de agosto de 2023.

Campanha da Fraternidade 2024

O bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, apresentou a proposta de tema e lema para a CF 2024. A intenção era que os mesmos destacassem os 60 anos da Campanha da Fraternidade, os quais seriam voltados para recuperar a identidade e a riqueza da campanha como proposta de vivência Quaresmal. A proposta considerou também a consulta popular realizada em 2021 para colher sugestões de temas.

Os bispos indicaram sugestões que reafirmem o sentido de mobilização por vida plena e pela promoção da fraternidade e da amizade social. As indicações foram compiladas em seis sugestões colocadas em votação. Foi escolhido o tema “Fraternidade e amizade social“. O lema será o mesmo da Campanha da Fraternidade 2018 “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Cf Mt 23,8).

O assessor de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, comentou a escolha dos bispos:

“É tempo de refletir sobre a fraternidade e a amizade social, converter o coração, promover a comunhão e não descuidar daquilo que é caro a todos nós: a dimensão social do Evangelho precisa ser redescoberta. Cuidar da vida partindo da experiência do encontro pessoal com Jesus Cristo que tem ressonâncias na comunidade, na sociedade. E o lema nos inspira a trilhar esse caminho”.

Os próximos passos para a preparação da CF 2024 será a definição pelos bispos do enfoque a ser abordado no texto base e a nomeação da equipe redatora.

Outros assuntos

A reunião também tratou de outros assuntos, como a definição de que os Prêmios de Comunicação serão realizados a cada dois anos. O restante do tempo foi dedicado a partilhas sobre as visitas Ad Limina Apostolorum, concluídas no último mês, e informes.

O assessor político institucional, padre Paulo Renato Campos, falou do acompanhamento de projetos em tramitação no Congresso Nacional; o arcebispo de São Paulo e representante da CNBB no Conselho Episcopal Latino-Americano, cardeal Odilo Pedro Scherer, divulgou a publicação do texto com reflexões e propostas pastorais a partir da 1ª Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe; e o arcebispo de Campo Grande (MS), dom Dimas Lara Barbosa, falou dos próximos passos para a institucionalização da rede de entidades católicas beneficentes de assistência social. Presidentes de organismos e regionais também fizeram suas partilhas.

Fonte: CNBB

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