Dom Moacir precise a celebração da Ceia do Senhor e Lava-pés na Catedral

Dom Moacir precise a celebração da Ceia do Senhor e Lava-pés na Catedral

A celebração do Tríduo Pascal, presidida pelo Arcebispo Dom Moacir Silva, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, começou na Quinta-feira da Semana Santa, 02 de abril, às 19h30, com a Missa vespertina da Ceia do Senhor e Lava-pés. Os apóstolos para o rito do lava-pés foram representados por crianças e adolescentes da catequese da Catedral. Concelebraram o pároco padre Francisco Jaber Zanardo Moussa, e o vigário paroquial, padre João Marcos da Silva Carvalho.

Na homilia, dom Moacir convidou os fiéis a imaginar estarem presentes no Cenáculo. “Queridos irmãos, queridas irmãs! Estamos reunidos em torno do Altar do Senhor, celebrando a Eucaristia, no dia em que ela foi instituída, como tão sublime sacramento. Que privilégio! Que dom para todos e cada um de nós! Convido a cada um de vocês a se transportar, pela imaginação, para o Cenáculo, naquele fim de tarde e início de noite cheio de recordações, palavras de despedida, sinais sacramentais e gesto de profundo sabor fraterno, onde Nosso Senhor Jesus Cristo instituiu a Eucaristia, instituiu o sacerdócio ministerial e nos deu o mandamento novo do amor. Nesta noite santa descobrimos que a pedagogia de Jesus incluiu a espiritualidade da mesa. Ele antes de fundar uma igreja, fundou a mesa da vida (mesa da Última Ceia): mesa da refeição como lugar de comunhão, fonte inesgotável de vida. A comunhão que faz sonhar com a mesa eterna no Reino e desafia seus participantes a viver a partilha como hábito e dinâmica que preserva e promove a vida”.

Ao refletir o Evangelho (Jo 13, 1-15), dom Moacir indicou que a narrativa do lava-pés exemplifica como deve a prática de vida cristã. “No Evangelho de São João não temos a narrativa da instituição da Eucaristia, mas a narrativa da consequência dela na nossa vida: o amor fraterno, traduzido no serviço aos irmãos, o lava-pés. No Evangelho do lava-pés o diálogo de Jesus com Pedro apresenta um aspecto da prática de vida cristã, ao qual queremos dirigir a nossa atenção. Num primeiro momento, Pedro não quisera que o Senhor lhe lavasse os pés: esta inversão da ordem, isto é, que o mestre Jesus lavasse os pés, que o senhor assumisse as funções do servo, contrastava totalmente com o seu temor reverencial para com Jesus, para com o seu conceito de relação entre mestre e discípulo. ‘Nunca me lavarás os pés’, diz a Jesus com a sua habitual veemência (Jo 13, 8). O seu conceito de Messias incluía uma imagem de majestade, de grandeza divina. Tinha que aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diversa da nossa ideia de grandeza; que ela consiste precisamente em descer, na humildade do serviço, na radicalidade do amor até ao total auto-despojamento. E também nós devemos aprendê-lo sempre de novo, porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão; porque não somos capazes de percebermos que o Pastor vem como Cordeiro que se doa e assim nos conduz ao prado justo”

Ao encerrar a homilia dom Moacir disse: “A Quinta-Feira Santa, queridos irmãos e queridas irmãs, é um dia de gratidão e de alegria pelo grande dom do amor até ao extremo, que o Senhor nos fez. Neste momento rezemos ao Senhor para que gratidão e alegria se tornem em nós a força de amar juntos com o seu amor, hoje e sempre. Amém”.

Ao final da celebração, o Santíssimo Sacramento foi trasladado pelo arcebispo dom Moacir, do altar até a Capela do Santíssimo Sacramento, seguido do cortejo de fiéis, onde permaneceu exposto para adoração.

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