Dom Moacir presidiu ordenação presbiteral em Brodowski

O diácono transitório Luís Fernando de Oliveira recebeu em sua cidade natal, Brodowski, a ordenação presbiteral conferida pela imposição das mãos e oração consecratória do arcebispo dom Moacir Silva, em 05 de dezembro, no Salão Paroquial da paróquia Nossa Senhora Aparecida. O neopresbítero escolheu o lema sacerdotal: “Senhor, tu sabes que te amo (Jo 21, 17)”. A celebração reuniu padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas e grande número de fiéis, e foi a segunda ordenação presbiteral no Ano Jubilar 2025 na Arquidiocese de Ribeirão Preto. O neopresbítero Luís Fernando manifestou o sentimento de viver o dia da ordenação como um compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo. “A caminhada foi longa, uma pausa, depois retomei a caminhada, e agora chegou o dia da ordenação que é uma emoção ímpar na nossa vida, como um coroamento de uma etapa da formação inicial para a gente percorrer agora a vida. Então, uma outra história, um outro jeito, um outro estilo a partir de agora, e que Deus possa nos abençoar e permitir que eu possa desempenhar bem o ministério sacerdotal”.

Recordação da Vida: A recordação da vida exaltou a oração pelas vocações e a fidelidade a vocação de batizados. “Vivendo as alegrias do ano santo de nosso Senhor Jesus Cristo, reunimos-nos hoje como igreja para celebrar um mistério de graça, a ordenação presbiteral do diácono Luís Fernando. O Senhor, que continua chamando trabalhadores para Sua messe, manifesta novamente o Seu amor, escolhendo e consagrando mais um filho seu para o serviço do Evangelho e do povo de Deus. Nesta celebração, contemplamos a fidelidade de Deus, que conduz a história da nossa salvação e suscita ministros configurados a Cristo, o Bom Pastor. Unidos em oração, queremos acolher com fé este momento tão especial, pedindo que o Espírito Santo venha em plenitude sobre aquele que será ordenado presbítero e renove também em cada um de nós a alegria da vocação ao sacerdócio comum recebida no batismo. Que essa liturgia seja para nós um convite a reconhecer a presença viva do Senhor que chama, consagra e envia e seja para o diácono Luís um marco de entrega total, disponibilidade e amor à igreja”.

Homilia: No início da homilia, dom Moacir, saudou os presentes e se dirigiu ao ordinando fazendo referência ao lema sacerdotal escolhido para viver o presbiterato. “Queridos irmãos e queridas irmãs, estamos para ordenar Presbítero este nosso filho, que vocês contam entre vossos amigos ou parentes. Caríssimo filho Diác. Luís Fernando, daqui a pouco você será configurado ao Cristo, sumo e eterno sacerdote; você será consagrado verdadeiro sacerdote da nova aliança para pregar o Evangelho, apascentar o povo de Deus e celebrar o culto divino, principalmente no Sacrifício do Senhor. Caríssimo ordinando, a Ordenação sacerdotal vai configurar você a Jesus Cristo Mestre, Sacerdote e Pastor. Então, a sua vida e seu ministério sacerdotal devem revelar, visibilizar este Cristo Mestre, Sacerdote e Pastor para as pessoas. Caríssimo ordinando, você será configurado com Cristo para ser sinal da caridade pastoral de Cristo Bom Pastor junto aos fiéis, que estarão sob os teus cuidados pastorais. ‘Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas’ (Jo 21, 16), diz Nosso Senhor a você, mostrando que o seu trabalho pastoral, necessariamente, deve ser consequência do seu amor pessoal a Ele. Ele não pergunta se você se sente com força para o ministério, se você conhece bem a doutrina dele, se você se sente capacitado para governar o seu povo. Ele pergunta: tu me amas? É o amor a Jesus que capacita para animar, orientar e alimentar os fiéis. E este amor para com Jesus tem que ser cultivado dia a dia pela oração, pela meditação da Palavra de Deus e, sobretudo, pela cotidiana celebração da Eucaristia”, explicou o arcebispo.

Caridade Pastoral

A arcebispo ampliou a reflexão motivando o ordinando a viver a caridade pastoral como síntese da espiritualidade do padre. “‘Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas’ (Jo 21, 16). Aqui, querido ordinando e caríssimos padres, queremos olhar ou pouco mais de perto a caridade pastoral do padre, que é síntese da sua espiritualidade. A caridade pastoral não implica entrega qualquer de si mesmo, mas uma entrega de si mesmo da forma como o Pai quer, é uma entrega de si mesmo à imitação do Bom Pastor Jesus. Caridade pastoral é a tarefa de guiar, dirigir, unir. É o empenho de conhecer e amar as pessoas, é ser, é existir para as pessoas confiadas ao nosso pastoreio. É estar desperto para defender os fiéis dos ataques dos inimigos. É proporcionar aos fiéis os bens espirituais, especialmente da Palavra de Deus e dos Sacramentos, a exemplo do pastor bom que conduz suas ovelhas para as melhores pastagens e melhores águas. Caridade pastoral é trabalhar, cansar-se, abnegar-se pelos fiéis, não buscando a si próprio, mas buscando sempre o bem destes mesmos fiéis. É um consumir a própria vida em vista do bem dos fiéis, em vista da salvação das almas. Caridade pastoral é viver como Jesus, como contaram e viveram tantos santos e heróicos padres, como repetiram incessantemente os documentos oficiais. Essa vida necessariamente tem que ser santa para ser santificadora. Tem que santificar-se santificando os outros e santificar os outros, santificando-se. Trata-se de ser animador de homens e mulheres pelos caminhos que levam a Deus, de iluminar, de ajudar para que eles percorram este caminho. Mas, para isso, é necessário que o padre vá na frente, neste caminho. O padre é aquele que oferece a esperança aos fiéis, que muitas vezes se encontram desesperançados. Para isso o padre tem de viver como peregrino de esperança, ancorado na confiança em Deus, no amor de Deus”, frisou dom Moacir.

Ser pastor

Outro ponto meditado por dom Moacir na homilia aprofundou a importância do pastoreio pelos padres. “O ser pastor implica conhecer as ovelhas pelo nome, o que significa estar atento a cada mentalidade, a cada meio social, a cada geração, a cada pessoa. Isto é essencial. É necessário estar a par dos problemas, das inquietações, das dificuldades para dar aos fiéis a orientação para a vida cristã. A caridade pastoral tem, pois, de responder a uma exigência precisa: a de fazer-se atenta aos problemas do homem e da mulher do hoje. Isto pede, então, ao padre uma forte capacidade de escuta, de diálogo, de participação, de presença; uma forte disponibilidade para caminhar com os fiéis, para fazer-se companheiro de viagem de todos, especialmente dos mais necessitados. Mas também pede uma rica experiência sobrenatural, que torna os padres capazes de nunca deixar o essencial para ceder à tentação de permitir ser absorvidos pela multidão de empenhos particulares, na falsa ilusão de poder responder a tudo. O ser pastor traz consigo o ser condutor, o que significa encaminhar a comunidade que lhe está confiada para maturidade cristã, cultivando em cada cristão a sua vocação. Isto se faz, sobretudo, pela vida, porque o padre é o sinal mais próximo das pessoas da vida autenticamente cristã. Tem que ser ele também preparado, consagrado e entregue para que essa vida floresça entre os irmãos”, revelou o arcebispo.

E, por último, o arcebispo falou da necessidade do padre contagiar a comunidade com a mensagem do Cristo Pastor. “O padre tem que contagiar. Aqui é bom não esquecer que só se contagia com aquilo que se tem. Se é pobreza de fé, de caridade, se é anemia espiritual o que se tem… será isso o que vai contagiar. Para transmitir energia espiritual é preciso estar sempre ‘com a bateria’ carregada. A mediocridade na vida espiritual, na santidade, é um absurdo, é contra a missão para a qual o padre entregou a sua vida. É assim a vida de quem está à frente, admoestando e ensinando com autoridade que lhe vem sobretudo da vida, em colaboração com o Bispo, unido aos presbíteros, servindo os fiéis, dialogando com todos os homens e mulheres. Um risco que todos nós corremos, caro ordinando e queridos padres, é a sempre viva tentação do eficientismo, da procura de aprovação e do sucesso, com o perigo de se mover demasiadamente em perspectiva humana, de responder ao mundo, esquecendo a fidelidade e o diálogo com Deus. Esta perspectiva vivida longamente criará desilusões e, portanto, desencorajamentos e isolamentos. O padre, para não perder a sua identidade, não pode procurar-se a si mesmo. Ele deve focalizar constantemente a sua atenção sobre o Cristo Pastor que veio para servir e dar a vida”, disse dom Moacir.

Homenagem ao arcebispo, e aos padres Luís Fernando e Alfeu Piso

A comunidade paroquial de Brodowski dirigiu mensagem e prestou homenagem ao arcebispo, ao padre Alfeu e ao neopresbítero Luís Fernando. Primeiro, a Dom Moacir, que recebeu uma imagem do Menino Jesus: “Que o seu ministério seja sempre Belém, gerando na vida da igreja os necessários frutos para uma evangelização que contemple sempre o reino de Deus”. A homenagem ao padre Alfeu Piso, pároco da paróquia Nossa Senhora Aparecida, e que neste ano celebra 55 anos de vida sacerdotal, culminou com a entrega de um presente peculiar, o pároco tem como hobby a pescaria, e recebeu uma rede adquirida às margens do rio São Francisco, em Bom Jesus da Lapa, na Bahia, simbolizando o sentido de lançar as redes do Evangelho: “E na aurora da proximidade do Natal, recebemos mais um fruto, irrigado pela oração, assistido pelos irmãos e, sobretudo, orientado no processo formativo por um doutor que senta no barranco para pescar. Faz a própria isca e tem como quintal de casa a margem do rio, o mesmo rio que deságua nos corações, com informação e formação na energia das palavras e na suavidade do bálsamo que restaura e edifica. Nossa gratidão”.

Ao neopresbítero, a comunidade paroquial de Brodowski, expressou a gratidão: “Padre Luís Fernando você tomou como lema de ordenação João, capítulo 21, versículo 17, que diz: ‘Senhor, tu sabes que te amo’ e foi neste amor que ele o chamou, instruiu, ungiu e consagrou para apascentar suas ovelhas. Nossa gratidão, padre Luís Fernando, por sua fidelidade neste amor e que ele preceda cada atitude no que diz respeito às coisas de Deus. Não o parabenizamos, mas o reverenciamos. A nobreza da missão o torna outro Cristo, por isso, nosso carinho e respeito”.

Agradecimentos

O neoprebítero Luís Fernando de Oliveira dirigiu mensagem de agradecimento:

“Senhor, Tu sabes que te amo. Esta frase de Pedro dirigida a Jesus, depois do questionamento de seu amor para com o Senhor, foi escolhida por mim como lema sacerdotal, pois, assim como Pedro, depois de algumas desilusões, resolvi voltar para a vida antiga, mas o olhar amoroso e misericordioso do Senhor ressuscitado, novamente me alcançou e, como a Pedro, o Senhor me devolveu o chamado a segui-lo mais de perto. Ele nos conhece melhor que nós mesmos, sabe de nossas fragilidades, de nossos pecados, de nossas inconstâncias, mas nada disso importa para Ele.
Ele confia a sua missão à nossa efemeridade e sabe onde nosso coração está ancorado, na esperança que não decepciona. Ele sabe que em nossa vida apenas o seu caminho faz sentido, por isso Ele renova seu chamado e sua confiança em nós. Hoje assumo uma nova etapa de minha vida.

De coração aberto e livre, agradeço em primeiro lugar a Deus, que nunca se cansa de nos proporcionar vida. Ele quer contar conosco para a missão de pregar a sua palavra e, ao seu exemplo de Bom Pastor, ajudar a guiar o rebanho no caminho da santidade. Agradeço a minha mãe Luísa, que já participa da festa da eternidade, e a toda a minha família, que em meio às críticas e incentivos me fizeram quem eu sou hoje.

Agradeço a Igreja, na pessoa de nosso pai e pastor Dom Moacir, pela confiança e orientação. Agradeço aos meus reitores nestes 12 anos de seminário, divididos em duas fases. Agradeço ao meu diretor espiritual e às psicólogas do seminário por toda a orientação e palavras iluminadoras.
Agradeço aos padres que me acolheram em suas paróquias para o meu estágio pastoral, onde pude crescer e me desenvolver com a dinâmica própria de cada local e no fazer pastoral. De maneira especial a estes no meu retorno ao seminário: Paróquia Santa Luzia de Sertãozinho, Santuário Nossa Senhora Aparecida, Paróquia São Mateus e Catedral em Ribeirão Preto. Agradeço especialmente a paróquia de Brodowski, ao padre Alfeu, padre Ilsinho e todo o povo que constrói a vida paroquial.

Eu, filho deste lugar, aqui nasci, aqui fui batizado, fiz minha primeira eucaristia e crisma, por isso também escolhi aqui para receber a minha ordenação presbiteral. Amo esta terra e foi a partir daqui que pude crescer e voar. Uma homenagem especial ao padre Alfeu que nestes próximos dias, completa 55 anos de ordenação presbiteral.

Ele muito me ensinou sobre ter apetite das coisas de Deus e amor à igreja, e ao padre Ilsinho que não mediu esforços para que esta celebração acontecesse com toda a sua solenidade. Agradeço aos meus amigos e a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram neste caminho, foram muitas pessoas e Deus sabe quem são e com certeza o Senhor misericordioso há de recompensar a cada um por toda a generosidade dispensada. Agradeço de coração a todos que se fizeram presentes nesta celebração.

Rezem por mim, pela minha missão, fidelidade e pela minha saúde e que Deus abençoe a todos”.

Conheça o neopresbítero Luís Fernando

Luís Fernando de Oliveira, nasceu em 09 de janeiro de 1985, em Brodowski, filho único de Luiza Rosa de Oliveira, falecida em 2006. Em sua cidade natal recebeu os sacramentos da iniciação à vida cristã: o batismo, em 17 de março de 1985, na Capela Santo Antônio de Pádua, pelo diácono Walter Adami; a primeira Eucaristia, em 31 de junho de 1998, pelo padre Luís Fernando Ribeiro; e a Crisma, em 21 de maio de 2000, por dom Arnaldo Ribeiro, ambos na Matriz Nossa Senhora Aparecida.

De 1992 a 1999, fez o ensino fundamental na Escola Estadual Professora Nair Duarte do Páteo Franzoni, em Brodowski. Em 2000 ingressou no Seminário Médio São José, na Vila Seixas, em Ribeirão Preto, onde cursou até 2002, o ensino médio na Escola Estadual Professor Sebastião Fernandes Palma. No ano de 2003 ingressou no Seminário Maria Imaculada, em Brodowski, e cursou a Filosofia (2003-2005), no Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Na mesma instituição iniciou o curso de Teologia, em 2006, e em 2008 interrompeu o curso ao deixar o seminário.

No período de 2008 a 2020 seguiu fora do Seminário, e fez diversas experiências profissionais e pastorais, entre elas: o Curso de Pedagogia (2009-2011) e a Especialização em Docência no Ensino Superior (2011-2012), no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto. Em 2012 realizou uma breve vivência com os Salesianos em São Paulo e Pindamonhangaba. No ano seguinte começou um trabalho na Província Marista Brasil Centro Sul (2013 a 2020). De 2014 a 2018 foi Membro do Laboratório de Estudos e Pesquisa da Infância, Juventude e Educação (LEPINJE) da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). Foi membro do Grupo de Trabalho 03: Movimentos Sociais, Sujeitos e Processos educativos da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), em 2016-2017. Em 2015 iniciou o Mestrado em Educação pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP), tendo em 2018 interrompido o mesmo. Em 2021 retornou ao Seminário Maria Imaculada e concluiu em 2024 o Curso de Teologia.

Ordenação: A Ordenação Diaconal ocorreu em 28 de fevereiro de 2025, na Paróquia Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Seixas, em Ribeirão Preto; e o estágio diaconal na paróquia São Mateus Apóstolo, em Ribeirão Preto.

Estágio Pastoral: O estágio pastoral no tempo de vivência no Seminário aconteceu nas seguintes paróquias: Nossa Senhora Aparecida – Brodowski (2000-2005); São José Operário (Hoje São Judas Tadeu) Ribeirão Preto (2006); Nossa Senhora de Fátima – Jardinópolis (2006); Santa Luzia – Luís Antônio (2007); Senhor Bom Jesus – Cruz das Posses (2008); Capela Sagrado Coração de Jesus – Salesianos – Pindamonhangaba (2012); Santa Luzia – Sertãozinho (2021); Santuário Nossa Senhora Aparecida – Ribeirão Preto (2022); São Mateus Apóstolo – Ribeirão Preto (2023); Catedral Metropolitana de São Sebastião (2024); e a Síntese Vocacional Diaconato na Paróquia São Mateus Apóstolo (2025).

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