Entre o lixo e o girassol

Após estabelecer que o seminário dos leigos seria construído em Brodowski, Dom Agnelo Rossi confiou aos congregados marianos a direção das campanhas de arrecadação de recursos para o custeio da obra. Desse modo, pelo recolhimento de lixo recuperável e pela distribuição de sementes de girassol, ainda em 1962, as primeiras iniciativas práticas foram tomadas para a realização do ideal de formação dos leigos.

Pe. Emílio Pignoli, 1º encarregado pelas campanhas pró-construção da Casa Dom Luís.

Primeiramente, os membros da campanha pró-construção solicitaram a ajuda dos diocesanos por meio do jornal Diário de Notícias, pedindo que doassem todo tipo de material que pudesse ser recuperável, desde pneus e vidros até plásticos e ferros. Esse lixo aproveitável era separado e vendido e tornou-se o lastro econômico dos princípios da construção da Casa. Do mesmo modo, logo a campanha do girassol ganhou espaço. Consistia no plantio das sementes de girassol por todos os que quisessem ajudar. Quando estas floriam, realizava-se a colheita e se comercializavam os botões. Tal campanha marcou os trabalhos pró-construção devido à adesão dos benfeitores por toda a região que compunha o arcebispado.

Em um artigo para o mencionado jornal, o Côn. Arnaldo Álvaro Padovani discorreu sobre a democraticidade das campanhas: por serem de simples contribuição, estavam ao alcance de todos que desejassem participar. Convidava-os para que plantassem as sementes no quintal das residências, nos jardins cultiváveis e nas fazendas e afirmava que assim “no silêncio acolhedor da ‘Casa Dom Luís Mousinho’ desapontarão esforços construtores do heroísmo que o Evangelho exige para a plenitude de sua vivência autêntica” (Diário de Notícias, 23/06/1964). Ele destacou, ainda, o engajamento da juventude católica, sobretudo à pertencente às congregações marianas, na promoção das campanhas. Finalizou seu texto mirando o enriquecimento da Igreja particular de Ribeirão Preto por causa da Casa Dom Luís, “de onde surgirão os lírios da espiritualidade, a perfumarem o jardim vivo da Arquidiocese” (Diário de Notícias, 23/06/1964).

Pe. Xavier Mácua Charlan.

A Ação Católica a qual Dom Luís do Amaral Mousinho insistentemente buscou integrar à atividade diocesana também esteve presente nos movimentos pró-construção. O secretariado do setor da juventude da Ação impulsionava os militantes a participarem ativamente das campanhas propostas, tal como realizar o levantamento dos benfeitores que dispunham de propriedades cultiváveis. Os congregados marianos, por sua vez, buscavam o lixo recuperável em domicílio e, desse modo, a contribuição crescia ainda mais.

O primeiro encarregado pelas campanhas foi o Pe. Emílio Pignoli, que à época era diretor da Federação Arquidiocesana das Congregações Marianas. Ajudavam-no outros sacerdotes do clero secular, entre eles Pe. João Bergese e Pe. Xavier Mácua Charlan.

Pe. João Bergese.

Em síntese, as campanhas pró-construção sustentaram a primeira etapa da edificação do seminário dos leigos. Verificou-se a união dos diversos organismos e movimentos, do clero e do laicato, em favor da obra para a formação doutrinária e para os retiros espirituais. Assim, entre o lixo e o girassol, a Casa Dom Luís do Amaral Mousinho florescia com o apoio do povo arquidiocesano.

 

Bruno Paiva Meni
Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”

 

4º Artigo – Série Histórica: Especial 50 anos da Casa Dom Luís
(A partir de 14 de agosto de 2021, mensalmente no dia 14 de cada mês, publicaremos um artigo histórico por ocasião do jubileu de ouro da Casa Dom Luís)

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