Fraternidade e Moradia

A Campanha da Fraternidade (CF) 2026 tem como tema: “Fraternidade e Moradia” e como lema: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). A CF, expressão viva da missão evangelizadora da Igreja, especialmente durante o tempo quaresmal, é um convite à escuta da Palavra de Deus, que ilumina e convoca à ação transformadora, nos convida à conversão do coração.

A CF 2026 tem como objetivo geral: “Promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus, e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda população” (Texto-base TB, p. 8). Ao Objetivo Geral seguem 6 objetivos específicos.

O Texto-Base após uma introdução, estrutura-se em três capítulos: VER: A realidade da moradia no Brasil. ILUMINAR: Ele veio morar entre nós. AGIR: Construirão casas e nelas habitaram. Depois segue uma conclusão.

No primeiro capítulo deste TB, vamos VER com o coração e os olhos da fé, a realidade da moradia precária no Brasil, muitas vezes admitida como normal, a qual culpabiliza os pobres e segrega milhões de pessoas, buscando compreender suas causas e identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e da organização popular que promovam a moradia (cf. TB, 18).

“A moradia digna, mesmo sendo um direito humano previsto no Sistema das Nações Unidas e no Artigo 6º da Constituição Federal do Brasil, permanece inacessível para grande parte da população” (cf. TB, 23).

No segundo capítulo – ILUMINAR – nos empenhamos em aprofundar o lema: “‘Ele veio morar entre nós’, e em lançar luzes próprias da Tradição cristã sobre a realidade vista no primeiro capítulo, a saber, a luz das Sagradas Escrituras, dos Santos Padres, da Doutrina Social da Igreja e do recente Magistério Pontifício” (cf. TB, 106).

“Jesus nasce entre os que não têm lugar. Mais ainda, nasce entre aqueles para os quais havia sido negado o lugar da acolhida, da hospitalidade. A cena do nascimento de Jesus é um protótipo para todo o seu ministério, sendo solidário com os mais pobres e pregando nas periferias, na Galileia. Jesus também precisou se refugiar, ‘fugindo às pressas’ (cf. Mt 2,13-23), por causa do poder de Herodes” (cf. TB, 121).

No número 53 do Texto-Base encontramos a seguinte motivação: “Lutar por moradia digna é lutar para que todos as pessoas possam viver com dignidade. Isso faz parte da missão da Igreja. Não é apenas uma questão social e política, mas é também, mais radicalmente, uma questão de fé. É uma dimensão fundamental da missão evangelizadora da Igreja”.

No terceiro capítulo – AGIR – “nos propomos a agir em diversos âmbitos, pois as situações humanas referentes à moradia são várias e diferenciada e todas merecem atenção e exigem respostas concretas” (cf. TB, 165).

A Igreja no Brasil é convocada, nesta CF, a deixar-se tocar pelo que toca fortemente o coração de nosso Deus, debruçando-se sobre as feridas humanas causadas pelos problemas da moradia (cf. TB, 169). Assim, o TB apresenta propostas concretas para um agir profético, a ação comunitária, a ação eclesial, a ação educativa e a ação sociopolítica em cinco âmbitos, a saber: no âmbito das políticas de habitação, no âmbito municipal, no âmbito da construção do direito à cidade, no âmbito de comunidades e assentamentos populares e no âmbito do apoio à autogestão e ao cooperativismo na habitação (cf. TB, 172-175).

Na conclusão, o TB afirma que perante as situações injustas, dolorosa, a fé oferece-nos a luz que dissipa a escuridão (…). Não encontramos qualquer tipo de justificação social, moral ou de outro gênero para aceitar a carência de habitação. São situações injustas, mas sabemos que Deus está a sofrê-las juntamente conosco, está a vivê-las ao nosso lado. Não nos deixa sozinhos (cf. TB 176). No final da Quaresma, no Domingo de Ramos, somos chamados a participar do Gesto Concreto, a Coleta Nacional da Solidariedade, que deve ser fruto de nossa penitência quaresmal. Vivamos intensamente o tempo quaresmal, atentos aos apelos da CF-2026.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Boletim Informativo Igreja-Hoje
Janeiro/Fevereiro – 2026

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