Live oferece elementos para a compreensão sobre a metodologia e tema da fase diocesana do Sínodo 2023

A Equipe de Animação do Sínodo 2023 no Brasil promoveu, na quinta-feira, 14 de outubro, a live “Por uma Igreja Sinodal” com foco na organização da etapa diocesana a ser desenvolvida nas Igrejas Particulares de todo mundo simultaneamente, com início previsto para a primeira quinzena deste mês. A live contou com a participação de mais de mil pessoas online e 4.900 visualizações em apenas um dia.

A mediação ficou por conta da Mariana Venâncio, membro da Equipe de Animação do Sínodo 2023 no Brasil. Ela destacou que a live faz parte de abertura do processo sinodal desencadeado pelo Papa Francisco nos dias 9 e 10 de outubro e que a 16ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que começa agora com o ponto alto previsto com o encontro dos bispos em 2023, tem como tema “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”.

“Para nós leigos e leigas, clero, religiosas e religiosos é uma alegria participar deste processo sinodal como uma forma de partilhar da esperança do Papa Francisco de ver todo o povo de Deus envolvido nas etapas de escuta e também empenhados em abraçar a sinodalidade não como um evento passageiro, mas como uma forma de ser Igreja”, disse.

Aprofundamento do Ver e do Julgar

O bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Família, dom Ricardo Hoepers, também membro da Equipe de Animação do Sínodo 2023 no Brasil, disse ser uma graça especial fazer parte deste momento histórico de participação nos rumos da Igreja no mundo. “Este é um momento em que poderemos falar para as gerações futuras e dar o nosso testemunho de participação neste grande momento histórico da Igreja”, disse.

De acordo com ele, o Sínodo não tem só uma conotação humana em sua realização mas conta com a força do Espírito Santo que, por meio do Papa Francisco, está impulsionando toda a Igreja, o que torna-se a grande motivação à participação. O convite que ele fez a quem atua nas paróquias e comunidades eclesiais foi de mergulhar neste processo único e especial e que poderá mudar paradigmas e trazer sinais de esperança para uma Igreja melhor e mais a serviço do Reino de Deus.

Ao dom Ricardo coube o aprofundamento das etapas do método: ver e julgar. A primeira grande questão do momento do ver é a existência de uma crise antropológica que está sendo vivida pela humanidade ao qual Papa Francisco dá o nome de sombras de um mundo fechado. Ele falou dos processos que a Igreja está vivendo recentemente com a perspectiva de ajudar a compreender a realidade como um todo (Amoris Laetitia, Sínodo da Juventude, Laudato Si, Fratelli Tutti).

“Vivemos uma sociedade do descarte de coisas e relações, com uma fragmentação que nos fez perder a visão do todo e da comunidade, com muita dificuldade de engajamento de novas lideranças e isolamento. Esta concepção individualista leva ao isolamento das pessoas, comunidades e países. O Papa chama a atenção para isto na parte do ver”, disse.

Na perspectiva do julgar, o bispo falou dos critérios a partir da qual os católicos olham e julgam a realidade. O primeiro deles é a dimensão constitutiva trinitária. “O amor trinitário que nos deu a graça da experiência comunitária da Trindade, quando nos tornamos filhos e filhas de Deus pelo Batismo. É impensável que um cristão pense em atuar sozinho. A porta que nos constitui é uma porta que deve estar sempre aberta”, disse.

O segundo critério, apresentado por dom Ricardo, é o da dimensão constitutiva discipular e missionária. “Temos como cristãos este impulso de sair e ser discípulos e vivermos o que Cristo viveu. Sair e transbordar este amor de Cristo aos outro por meio da Evangelização. A Igreja é anúncio, não pode conter-se em si mesma”, disse. O bispo apresentou a terceira dimensão da eclesialidade sinodal que convida a ser irmãos e que não se faz sozinha e de portas fechadas. “Essas dimensões são o nosso referencial e nos constitui”, disse.

“A sinodalidade é um sinal profético a um mundo sem esperança de que é possível caminhar juntos e superar juntos os problemas”, disse. Dom Ricardo destacou, de acordo com o Instrumemntum Vade-Mecum, que o “a escuta é o método, o discernimento é o objetivo e a participação é o caminho” no processo do Sínodo 2023. “O grande desafio que vamos ter que enfrentar é a capacidade do diálogo”, disse.

Explicação da fase diocesana

Padre Júlio César, membro da Equipe de Animação do Sínodo 2023 no Brasil. Foto: print.
O assessor da Comissão Episcopal Pastoral de Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e membro da Equipe de Animação do Sínodo 2023 no Brasil, padre Júlio César Resende reapresentou as 3 fases do Sínodo 2023, sendo a primeira a ser vivida nas Igrejas particulares de outubro de 2021 a março de 2022, a segunda que é a Continental, prevista de setembro de 2022 a outubro de 2023, e a terceira fase da Igreja Universal, em outubro de 2023.

O padre apresentou as características e objetivos da fase diocesana, cuja finalidade é promover uma consulta ao povo de Deus sobre o tema da assembleia dos Sínodo. “A fase diocesana visa promover na prática a experiência deste caminhar e sentar juntos e escutar uns aos outros num caminho sinodal. Mais do que responder questionário esta fase quer promover o estar juntos, iluminados pelo Espírito Santo”, disse.

Também foram apresentados o papel das equipes diocesanas neste processo de escuta às Igrejas particulares, promover a animação do processo sinodal no nível diocesano, o envolvimento de todas as forças vivas da Igreja local, experiências formativas sobre o tema do Sínodo, organizar as atividades de abertura e a reunião pré-sinodal.

Foi dado destaque também aos temas centrais, eixos e grupos que precisam ser ouvidos e a metodologias para desenvolver e encaminhar o processo de escuta nas Igrejas locais, inclusive com adaptação em linguagem popular dos instrumentos de trabalho propostos pelo Sínodo 2023 e a utilização de formatos novos casados com os meios existentes para fazer a escuta e discernir o que o Espírito de Deus pede neste momento.

O membro da Equipe de Animação do Sínodo 2023 apresentou ainda o calendário a ser desenvolvido nas dioceses. Estas terão que enviar, até 25 de março de 2022, as contribuições das Igrejas locais à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), responsável por fazer a sistematização brasileira a ser enviada para etapa continental.

Fonte: CNBB

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