Na Missa Crismal arcebispo destaca o programa de Jesus: “Somos chamados a realizar o programa de Jesus numa Igreja Sinodal, que nos convida à conversão das relações”

Na Missa Crismal arcebispo destaca o programa de Jesus: “Somos chamados a realizar o programa de Jesus numa Igreja Sinodal, que nos convida à conversão das relações”

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto, acolheu na manhã da Quinta-feira Santa, 17 de abril, às 9 horas, os padres, diáconos, seminaristas, candidatos da Escola Diaconal, fiéis da Arquidiocese de Ribeirão Preto para a concelebração eucarística da Missa Crismal, conhecida também como Missa da Unidade ou Missa dos Santos Óleos, presidida pelo arcebispo dom Moacir Silva. Na missa os padres renovaram e reafirmaram o compromisso ao serviço de Deus em unidade do seu sacerdócio no único grande, sumo e eterno Sacerdote, Jesus Cristo, comprometidos de servir à Palavra de Deus e, nutridos pelo desejo de santificar a Igreja, continuar no serviço a Deus e aos irmãos e irmãs; e também foram abençoados os Santos Óleos da Crisma, dos Enfermos e do Batismo. Após os ritos finais da missa os representantes das 90 paróquias, 2 Santuários Arquidiocesanos, 5 Santuários Arquidiocesanos Paróquias, 1 Quase Paróquia, 2 Reitorias e 1 Área Pastoral, receberam das mãos do arcebispo as caixinhas com os vidros dos Santos Óleos a serem levadas as suas respectivas comunidades paroquiais. Os fiéis não presentes tiveram a oportunidade de acompanhar a transmissão da missa no canal do Youtube da Catedral e da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Homilia

Na introdução da homilia, o arcebispo dom Moacir Silva, fez referência a instituição do sacerdócio, a identidade e missão dos presbíteros, e destacou o programa e a grande tarefa deixada por Jesus a todos nós, e trouxe uma breve reflexão sobre o Jubileu 2025. “Queridos irmãos e queridas irmãs no Santo Batismo. Queridos irmãos e queridas irmãs na vida consagrada. Queridos irmãos no ministério ordenado. Queridos padres, hoje é o aniversário natalício de nosso ministério, que tem sua raiz e fonte no Sacerdócio de Jesus Cristo. Com Ele fomos consagrados a Deus para a salvação da humanidade. Como vimos no Evangelho, faz parte do programa de Jesus proclamar ‘um ano da graça do Senhor’, um ano jubilar, como o que estamos vivendo com todo a Igreja o Jubileu 2025, que nos convida a sermos peregrinos de esperança. Como sabemos, o Jubileu é um momento particular de graça que permite à comunidade cristã anunciar, sobretudo, o grande perdão oferecido pela indulgência jubilar. O perdão, intimamente ligado à esperança, oferece a oportunidade de uma genuína verificação sobre o nosso estilo de vida cristão. A Bula papal ‘Spes non confundit’, diz isso expressamente: ‘Uma tal experiência repleta de perdão não pode deixar de abrir o coração e a mente para perdoar. Perdoar não muda o passado, não pode modificar o que já aconteceu; no entanto, o perdão pode nos permitir mudar o futuro e viver de forma diferente, sem rancor, ódio e vingança. O futuro iluminado pelo perdão permite ler o passado com olhos diversos, mais serenos, mesmo que ainda banhados de lágrimas’ (n.º 23)”, explicou o arcebispo.

A missão de Jesus

Na sequência da homilia dom Moacir fez referência ao programa apresentado por Jesus, e que nos inspira a sermos seguidores e testemunhas em nosso cotidiano. “O programa apresentado por Jesus na sinagoga de Nazaré, é o programa que nós, seguidores dele, temos de ter diante dos olhos. ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção’. Jesus se sente ‘ungido’ pelo Espírito de Deus, impregnado por sua força. ‘Enviou-me para anunciar a Boa-Nova aos pobres’. Deus se preocupa com o sofrimento das pessoas. Por isso, seu Espírito impele Jesus a deixar sua aldeia e anunciar Boa-Nova aos pobres. Esta é a sua grande tarefa: colocar esperança no coração dos que sofrem. Se o que nós cristãos fazemos, se o que nós padres fazemos e dizemos não é captado como Boa-Nova pelos que sofrem, que Evangelho estamos pregando? Jesus se sente enviado a quatro grupo de pessoas: os ‘pobres’, os ‘cativos’, os ‘cegos’ e os ‘oprimidos’. São os que traz mais fundo no coração, os que mais o preocupam. Qual foi a ‘grande preocupação’ de Jesus? Isso deve chamar nossa atenção de pastores na Igreja. Ou a Igreja é dos que sofrem ou deixa de ser a Igreja de Jesus. Se não são eles que nos preocupam, com que estamos preocupados? Jesus tem claro o seu programa: semear liberdade, luz e graça. É isto que ele deseja introduzir naquelas aldeias da Galileia e no mundo inteiro. Hoje este programa está em nossas mãos. Somos chamados a encher o mundo com a liberdade, a luz e a graça de Deus (cf. José Antônio Pagola, O caminho aberto por Jesus – Lucas, p.78).”

Viver o programa de Jesus numa Igreja Sinodal

E o arcebispo continuou a reflexão, acrescentando que precisamos aplicar o programa de Jesus numa Igreja sinodal. “Queridos padres! Somos chamados a realizar o programa de Jesus numa Igreja Sinodal, que nos convida à conversão das relações, dentre outras. Ao longo de todo o caminho do Sínodo e em todas as latitudes, emergiu o apelo a uma Igreja mais capaz de alimentar as relações: com o Senhor, entre homens e mulheres, nas famílias, nas comunidades, entre todos os Cristãos, entre grupos sociais, entre as religiões, com a criação. Muitos manifestaram a surpresa por terem sido interpelados e a alegria por poderem fazer ouvir a sua voz na comunidade; não faltaram também aqueles que partilharam o sofrimento de se sentirem excluídos ou julgados também devido à sua situação matrimonial, identidade e sexualidade. O desejo de relações mais autênticas e significativas não exprime apenas a aspiração de pertencer a um grupo coeso, mas corresponde a uma profunda consciência de fé: a qualidade evangélica das relações comunitárias é decisiva para o testemunho que o Povo de Deus é chamado a dar na história. ‘Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns para com os outros’ (Jo 13,35). As relações renovadas pela graça e a hospitalidade oferecida aos últimos segundo o ensinamento de Jesus são o sinal mais eloquente da ação do Espírito Santo na comunidade dos discípulos. Para ser uma Igreja sinodal é necessária, portanto, uma verdadeira conversão relacional. Temos de reaprender do Evangelho que o cuidado das relações não é uma estratégia ou o instrumento para uma maior eficácia organizacional, mas é o modo como Deus Pai se revelou em Jesus e no Espírito. Quando as nossas relações, mesmo na sua fragilidade, deixam transparecer a graça de Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito, confessamos com a vida a fé em Deus Trindade (DF, 50)”, expressou dom Moacir.

E, ao concluir a homilia, dom Moacir se dirigiu aos Padres: “Queridos padres! Hoje vamos renovar os compromissos assumidos no dia de nossa ordenação. A renovação de tais compromissos deve ser antecedida por uma reflexão, por um exame: Tenho sido consequente com os compromissos assumidos na Ordenação perante o Bispo e a Igreja ali reunida? Tenho vivido como convém a alguém configurado com Cristo, Cabeça e pastor da Igreja? No silêncio, pensemos um pouco nisso”, finalizou o arcebispo.

Renovação das Promessas Sacerdotais e Bênção dos Santos Óleos

Após a homilia os padres fizeram a renovação das promessas sacerdotais. Ao término da renovação das promessas sacerdotais teve início o rito da bênção e consagração dos santos óleos, primeiro com a procissão de apresentação dos óleos trazidos em ânforas até altar com o óleo e o perfume, além do pão, do vinho e da água, e na sequência, o arcebispo iniciou as preces de bênção para o Óleo dos Enfermos (Sacramento da Unção dos Enfermos), dos Catecúmenos (Sacramento do Batismo), e a consagração do óleo do Crisma (Sacramento da Crisma).

Agradecimentos da Pastoral Presbiteral

O padre Vinícius Martins Cestari, em nome da Pastoral Presbiteral, dirigiu mensagem de agradecimento:

“Jesus Cristo fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele Glória e o poder em eternidade. Amém! Em nome da Pastoral Presbiteral, nesse dia tão significativo para toda a Igreja, e de modo especial a nós pelo nosso sacerdócio, agradecemos a Dom Moacir pelo testemunho sinodal em um esforço cotidiano para caminhar conosco e nos fazer peregrinos de esperança. A todos os irmãos no presbitério o desejo de que sejamos arautos de esperança encorajados por Jesus, servo de todos. Queremos parabenizar pelos 20 anos de ordenação dos padres Alexandre de Souza, Angelino, Rodrigo de Souza e William e também aos que celebram neste ano o jubileu de prata de ordenação presbiteral Padres Ivonei, Cláudio Nunes, Elviro, José Alceu, Paulo Henrique, Marcos Roberto e Mário Reis para que continuem sendo farol de esperança e renovados nesta missa crismal deem a cada dia o ‘sim’ para uma entrega radical e discreta. Deus nos abençoe hoje e sempre. Amém”.

Após os ritos finais, o arcebispo entregou a cada padre um livreto com um texto de Dom Rino Fisichella, Pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, intitulado “Jubileu da Esperança”, apresentado por ele no Curso para Bispos no Rio de Janeiro, no mês de janeiro deste ano. E, depois, o arcebispo entregou aos representantes paroquiais as caixinhas com os vidros dos Santos Óleos a serem levadas as paróquias.

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