Na Missa do Crisma arcebispo destaca o desafio de vivermos a harmonia evangélica como caminho para a construção da unidade

Na Missa do Crisma arcebispo destaca o desafio de vivermos a harmonia evangélica como caminho para a construção da unidade

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, em Ribeirão Preto, acolheu na manhã da Quinta-feira Santa, 28 de março, às 9 horas, os padres, diáconos, seminaristas, candidatos da Escola Diaconal, fiéis da Arquidiocese de Ribeirão Preto para a concelebração eucarística da Missa Crismal, conhecida também como Missa da Unidade ou Missa dos Santos Óleos, presidida pelo arcebispo dom Moacir Silva. Na missa os padres renovaram e reafirmaram o compromisso ao serviço de Deus em unidade do seu sacerdócio no único grande, sumo e eterno Sacerdote, Jesus Cristo, comprometidos de servir à Palavra de Deus e, nutridos pelo desejo de santificar a Igreja, continuar no serviço a Deus e aos irmãos e irmãs; e também foram abençoados os Santos Óleos da Crisma, dos Enfermos e do Batismo. Após os ritos finais da missa os representantes das 87 paróquias, 2 Santuários Arquidiocesanos, 5 Santuários Arquidiocesanos Paróquias, 4 Quase Paróquias, 2 Reitorias e 1 Área Pastoral, receberam das mãos do arcebispo as caixinhas com os vidros dos Santos Óleos a serem levadas as suas respectivas comunidades paroquiais. Os fiéis não presentes tiveram a oportunidade de acompanhar a transmissão da missa no canal do Youtube da Catedral e da Arquidiocese de Ribeirão Preto.

Recordação da Vida

O texto da recordação da vida enalteceu o sentido de viver plenamente a sinodalidade, uma Igreja que caminha junto para edificar a comunhão, a missão e a participação, e recordou o falecimento do saudoso Padre Chico Vannerom, falecido em 05 de novembro de 2023. “Nossa Igreja, como grande família, reunida como povo Santo de Deus, celebra este forte momento de comunhão eclesial e expressa a comunhão arquidiocesana em torno do Mistério Pascal de Cristo, a Missa do Crisma, também chamada de Missa da Unidade. Junto ao nosso pastor Dom Moacir, o presbitério de Ribeirão Preto, diáconos, religiosos, religiosas, seminaristas, leigos e leigas trazemos os nossos anseios como Igreja Sinodal, para que cada vez mais, tenhamos o desejo de comunhão, participação e missão. (…) Por isso, como sinal de gratidão e respeito, façamos um instante de silêncio em memória do padre Franciscus Hendrikus Dora Rita Vaneron, nosso querido padre Chico Vannerom, que no ano passado fez a sua Páscoa, em nosso silêncio o nosso muito obrigado”.

Homilia

Na introdução da homilia, o arcebispo dom Moacir Silva, fez referência a instituição do sacerdócio, a identidade e missão dos presbíteros, e destacou o programa e a grande tarefa deixada por Jesus a todos nós. “Queridos irmãos e queridas irmãs no Santo Batismo. Queridos irmãos e queridas irmãs na vida consagrada. Queridos irmãos no ministério ordenado. Queridos padres, hoje é o aniversário natalício de nosso ministério, que tem sua raiz e fonte no Sacerdócio de Jesus Cristo. Com Ele fomos consagrados a Deus para a salvação da humanidade. Temos consciência de que a identidade do sacerdote deriva da participação específica no Sacerdócio de Cristo, pelo qual o ordenado se torna, na Igreja e para a Igreja, imagem real, viva e transparente de Cristo Sacerdote, uma representação sacramental de Cristo Cabeça e Pastor (cf. DMVP, 2b). Identificar-se com Jesus e compartilhar o seu destino: eis aqui a grande orientação para nossa vida e ministério. E hoje, São Lucas nos apresenta o programa de Jesus porque é precisamente esse o programa que os seguidores de Jesus devem ter diante dos olhos. O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me consagrou com a unção. Jesus se sente ungido pelo Espírito de Deus. Impregnado por sua força. Enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres. Deus se preocupa com o sofrimento das pessoas. Por isso, seu Espírito impele Jesus a deixar sua aldeia e levar a Boa Nova aos pobres. Esta é a sua grande tarefa: pôr esperança no coração dos que sofrem”, disse o arcebispo.

O Espírito do Senhor está sobre mim

Na continuidade da homilia dom Moacir trouxe ensinamentos do Papa Francisco para a vida e exercício do ministério presbiteral. “Aqui trago para minha e nossa reflexão o ensinamento do Papa Francisco. Cada um de nós pode dizer: O Espírito do Senhor está sobre mim. E não é presunção, é realidade, já que cada cristão, e de modo particular cada sacerdote, pode fazer suas as palavras que se lhe seguem: ‘porque o Senhor me consagrou com a unção’ (Is 61, 1). Irmãos, sem mérito nosso, por pura graça, recebemos uma unção que nos fez pais e pastores no Povo santo de Deus. Se deixarmos agir em nós o Espírito da Verdade, guardaremos a unção – guardar a unção –, porque virão imediatamente à luz do dia as falsidades – as hipocrisias clericais –, as falsidades com que somos tentados a viver. E o Espírito, que ‘lava o que [no homem] há de impuro’, sugerir-nos-á sem descanso para não mancharmos minimamente a unção. Vem-me à mente aquela frase do Eclesiastes, que diz: ‘Uma mosca morta infeta e estraga o azeite perfumado’ (10, 1). É verdade! Toda a duplicidade – incluindo a duplicidade clerical – toda a duplicidade que se insinua é perigosa: não deve ser tolerada, mas levada à luz do Espírito. Porque, se não há ‘nada mais enganador que o coração, tantas vezes perverso’ ( Jr 17, 9), o Espírito Santo, e só Ele, nos cura das infidelidades (cf. Os 14, 5). Para nós, trata-se duma luta imprescindível: de fato é indispensável, como escreveu São Gregório Magno, que, ‘quem anuncia a palavra de Deus, antes se debruce sobre o seu próprio modo de viver, para que, haurindo da própria vida, aprenda o que dizer e como dizê-lo. (…) Ninguém presuma dizer fora o que antes não ouviu dentro’. E o mestre interior que devemos escutar é o Espírito, sabendo que não há nada em nós que Ele não queira ungir. Irmãos, guardemos a unção: a invocação do Espírito seja, não uma prática ocasional, mas a respiração de cada dia. Vinde, vinde, guardai a unção. Eu, consagrado pelo Espírito, sou chamado a mergulhar n’Ele, a deixar entrar a sua luz nas minhas opacidades – temos tantas –, para reencontrar a verdade daquilo que sou. Deixemo-nos impelir por Ele no combate às falsidades que se agitam dentro de nós; e deixemo-nos regenerar por Ele na adoração, porque, quando adoramos o Senhor, Ele derrama nos nossos corações o seu Espírito”, frisou o arcebispo.

Sermos artífices da harmonia evangélica

E o arcebispo continuou a reflexão, ainda inspirado nas meditações do Papa Francisco, destacando a ação do Espírito para a vivência da harmonia evangélica dirigida a construção da unidade. “‘O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu: enviou-me para levar a boa-nova” ( Is 61, 1; cf. Lc 4, 18-19) e levar – lê-se no prosseguimento da profecia – libertação, cura e graça; numa palavra, para levar harmonia onde não há. Pois, como diz São Basílio, ‘o Espírito é harmonia’, é Ele que faz a harmonia. Depois de vos ter falado da unção, quero dizer-vos algo sobre esta harmonia, que é sua consequência. De fato, o Espírito Santo é harmonia; antes de mais nada, no Céu: São Basílio explica que ‘toda aquela harmonia supra celeste e inefável no serviço de Deus e na sinfonia mútua das potências supra cósmicas, é impossível conservá-la a não ser pela autoridade do Espírito’. E, depois, na terra: na Igreja, Ele é realmente aquela ‘Harmonia divina e musical’ que tudo une. Mas imaginai um presbitério sem harmonia, sem o Espírito: não funciona. Ele suscita a diversidade dos carismas e recompõe-na na unidade, cria uma concórdia que não se funda na uniformização, mas na criatividade da caridade. Assim cria harmonia entre muitos. Assim faz harmonia num presbitério. Durante os anos do Concílio Vaticano II, que foi um dom do Espírito, um teólogo publicou um estudo no qual falava do Espírito em chave, não individual, mas plural. Convidou a imaginá-Lo como uma Pessoa divina não tanto singular, mas ‘plural’, como o ‘nós de Deus’, o nós do Pai e do Filho, porque é a sua ligação; é, em Si mesmo, concórdia, comunhão, harmonia. Recordo-me (diz o Papa) que, quando li este tratado teológico – estava em teologia, nos meus estudos – fiquei escandalizado: parecia uma heresia, porque, na nossa formação, não se compreendia bem como era o Espírito Santo”, expressou dom Moacir.

Criar harmonia para evitar a divisão

E, na sequência da homilia, o arcebispo acrescentou: “Tudo o que deseja é criar harmonia, principalmente através daqueles sobre quem derramou a sua unção. Irmãos, construir a harmonia entre nós não é tanto um método bom, para que a comunidade eclesial caminhe melhor, nem é questão de estratégia ou de cortesia, mas é sobretudo uma exigência interna na vida do Espírito. Peca-se contra o Espírito, que é comunhão, quando nos tornamos, mesmo por frivolidade, instrumentos de divisão, por exemplo – e voltamos ao mesmo tema – com a murmuração. Quando nos tornamos instrumentos de divisão, pecamos contra o Espírito. E faz-se o jogo do inimigo, que nunca sai a descoberto, mas gosta de boatos e insinuações, fomenta partidos e fações, alimenta a nostalgia do passado, a desconfiança, o pessimismo, o medo. Por favor, estejamos atentos a não manchar a unção do Espírito e o vestido da Santa Mãe Igreja com a desunião, com as polarizações, com qualquer falta de caridade e comunhão. Recordemos que o Espírito, ‘o nós de Deus’, prefere a forma comunitária, isto é, a disponibilidade acima das exigências próprias, a obediência acima dos próprios gostos, a humildade acima das próprias pretensões”.

Dever de casa: conservar a harmonia

Antes de encerrar a homilia, Dom Moacir, deixou como dever de casa a conservação da harmonia, como caminho para a proximidade e o encontro fraterno entre presbíteros e fiéis. “A harmonia não é apenas uma virtude entre outras. São Gregório Magno escreve: ‘Quanto valha a virtude da concórdia demonstra-o o fato de que, sem ela, todas as outras virtudes não valem absolutamente nada’. Ajudemo-nos, irmãos, a conservar a harmonia, conservar a harmonia – este seria o meu dever de casa – começando não pelos outros, mas pelo próprio, perguntando-me: nas minhas palavras, nos meus comentários, naquilo que digo e escrevo, há a marca do Espírito ou a do mundo? Penso também na gentileza do sacerdote – tantas vezes nós, padres, somos uns mal-educados –: pensemos na gentileza do sacerdote se o povo, até em nós, encontra pessoas insatisfeitas, pessoas descontentes, solteirões, que criticam e acusam, onde poderá ele ver a harmonia? Quantos não se aproximam ou até se afastam, porque na Igreja não se sentem acolhidos e amados, mas olhados com desconfiança e julgados! Em nome de Deus, acolhamos e perdoemos sempre! E lembremo-nos de que ser ríspido e lamuriento, além de não produzir nada de bom, corrompe o anúncio, porque é contratestemunho de Deus, que é comunhão e harmonia. E isto desagrada tanto e sobretudo ao Espírito Santo, que o apóstolo Paulo nos exorta a não entristecer (cf. Ef 4, 30)”.

E, ao concluir a homilia, dom Moacir se dirigiu aos Padres: “Queridos padres! Hoje vamos renovar os compromissos assumidos no dia de nossa ordenação. A renovação de tais compromissos deve ser antecedida por uma reflexão, por um exame: Tenho sido consequente com os compromissos assumidos na Ordenação perante o Bispo e a Igreja ali reunida? Tenho vivido como convém a alguém configurado com Cristo, Cabeça e pastor da Igreja? No silêncio, pensemos um pouco nisso”, finalizou dom Moacir.

Renovação das Promessas Sacerdotais e Bênção dos Santos Óleos

Após a homilia os padres fizeram a renovação das promessas sacerdotais. Ao término da renovação das promessas sacerdotais teve início o rito da bênção e consagração dos santos óleos, primeiro com a procissão de apresentação dos óleos trazidos em ânforas até altar com o óleo e o perfume, além do pão, do vinho e da água, e na sequência, o arcebispo iniciou as preces de bênção para o Óleo dos Enfermos (Sacramento da Unção dos Enfermos), dos Catecúmenos (Sacramento do Batismo), e a consagração do óleo do Crisma (Sacramento da Crisma).

Agradecimentos da Pastoral Presbiteral

O padre Ivonei Adriani Burtia, representante dos Presbíteros, em nome da Pastoral Presbiteral, dirigiu mensagem de agradecimento ao arcebispo, aos padres, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas e Povo de Deus, lembrando em especial os padres eméritos, os padres sem paróquia, os que atuam em serviços pastorais, os padres missionários no Amazonas e na África.

Após dos ritos finais, o arcebispo entregou a cada padre um exemplar do livro “Rezar Hoje”, edição número 1 da série “Cadernos sobre a Oração”, subsídio do Ano da Oração em preparação ao Ano Jubilar 2025, e um livreto contendo o Discurso do Papa Francisco aos participantes no Convênio Internacional sobre a Formação Permanente dos Sacerdotes promovido pelo Dicastério para o Clero, em 8 de fevereiro de 2024.

Texto e Fotos: Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Ribeirão Preto

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