Natal é Tempo de Esperança

Com alegria me dirijo a vocês neste tempo do Advento que nos prepara para a celebração do Natal do Senhor. As normas universais do ano litúrgico, no número 39, diz: “O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa”.

Neste tempo de piedosa e alegre expectativa, um tempo de preparação para o Natal do Senhor, deixemo-nos envolver pelos textos bíblicos, oracionais e reflexivos da liturgia para nos enriquecer espiritualmente, e viver intensamente este tempo forte e carregado de graças que o Senhor nos concede.

Durante este ano fomos impulsionados a refletir e rezar o tema: “Peregrinos de Esperança”, e estamos às portas do encerramento do Jubileu 2025. Em nossa Arquidiocese, em comunhão com toda a Igreja, celebraremos na festa da Sagrada Família de Nazaré, 28 de dezembro, às 9h, no Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Vila Seixas, em Ribeirão Preto, o encerramento do Ano Jubilar. No entanto, em Roma, o Santo Padre encerrará o Ano Jubilar na Solenidade da Epifania do Senhor, em 06 de janeiro de 2026.

O Ano Jubilar da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo apresentou-se para nós, a partir do desejo do saudoso Papa Francisco, como um tempo de muita importância para a vida da Igreja e de todos os cristãos e cristãs. Foi uma oportunidade ímpar para reavivarmos e reafirmarmos a nossa esperança naquele que nos deu a única via para participarmos da vida eterna em sua Ressurreição, oferecendo-nos, por seus mistérios, a salvação. Oportunidade de um grande renascimento da nossa fé cristã.

Natal é tempo de esperança. De uma esperança concreta e não vazia, uma confiança alicerçada na fé e na perseverança, um tocar no coração da fé cristã, como nos fala o Papa Leão XIV, na Audiência Geral, em 26 de novembro: “Com efeito, viver invoca um sentido, um rumo, uma esperança. E a esperança age como o profundo impulso que nos faz caminhar no meio das dificuldades, que não nos faz desistir no cansaço da viagem, que nos torna certos de que a peregrinação da existência nos conduz para casa. Sem esperança, a vida corre o risco de parecer um parêntese entre duas noites eternas, uma breve pausa entre o antes e o depois da nossa passagem pela terra. Ao contrário, esperar na vida significa antecipar a meta, dar por certo aquilo que ainda não vemos e não tocamos, confiar e entregar-nos ao amor de um Pai que nos criou porque nos amou e nos quer felizes”.

Natal é tempo de alegria. Uma alegria plena na sabedoria de que Deus caminha conosco e ilumina a direção das nossas vidas. “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2, 10). É o grande anúncio do Natal: “hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2, 11). A celebração do Natal é a celebração do mistério da Encarnação do Verbo e sua habitação em nosso meio. A Encarnação é o evento e a verdade de fé cristã fundamental que, em certo sentido, inclui todas as outras. É o evento decisivo com o qual Deus transpôs a diferença qualitativa com a criatura e uniu-se a ela, entrando na sua vida e sua história. Hoje, mais do que nunca, precisamos aderir plenamente com a inteligência e a vontade a esta verdade.

Celebrar verdadeiramente o Natal significa encontrar-se com Jesus e viver todas as consequências desse encontro. E não nos esqueçamos de que o encontro pessoal com Jesus no Natal necessariamente exige de nós conversão, conforme ensina o Documento de Aparecida: “Conversão: É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê n’Ele pela ação do Espírito Santo, decide-se ser seu amigo e ir após Ele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo” (DAp 278b)

Vivamos bem o Advento para que a celebração do Natal seja um mergulho mais profundo no mistério da Encarnação, isto é, no mistério do Filho de Deus que veio habitar entre nós. Deus veio morar em nosso meio.

Desejo a todos um santo Advento, um Natal muito feliz, e um abençoado ano de 2026.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Boletim Informativo Igreja-Hoje
Dezembro/2025

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