O Estado Brasileiro judicializado, por que?

O Estado Brasileiro judicializado, por que?
Não sou partidário, até porque os tantos partidos de nosso País dividem, ao invés de somarem, desunem ao invés de unirem o povo tão bom, trabalhador e sofredor de um Brasil tão gigante. Tem-se a sensação de que o Brasil está de cabeça para baixo, de pernas para cima. Afirmar que as Instituições caminham em harmonia e independência, é no mínimo ingênuo, senão diabólico. Há muito não se via tamanha disputa por poder e ganância por blindagem. Que exemplo deixam para nossas crianças e adolescentes? “Quer ser um criminoso impune, candidate-se a deputado, senador ou a qualquer cargo político”! Não é isso que assistimos, daqueles em quem colocamos nossa confiança, através do voto?
A crise política, econômica, social e ética de nosso País traz uma avalanche de incertezas e já não se sabe mais em quem acreditar, como traçar perspectivas e esperanças, não obstante se saiba que muitas vezes as crises são como que “úteros de esperança”. O que não se prevê, é quando nascerá o fruto desse “útero” e a “esperança” volte a embalar nosso amado e tão explorado povo. Impõe-se o Estado Brasileiro judicializado, porque os Poderes Constituídos: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário disputam entre si. Medem forças; um desfaz o que o outro determina, principalmente no que diz respeito à interpretação ao invés da defesa da Constituição. Impõe-se certa insegurança jurídica, quando farpas e linguagens de baixo nível ocupam o cenário até mesmo entre os Ministros da Suprema Corte. É notório que entre os Ministros do STF há dois grupos: um a favor da “impunidade” e outro a favor da justiça para com o Povo Brasileiro tão “saqueado” por figuras que se sentem blindadas, até porque pagam os melhores advogados com o dinheiro “roubado” dos cofres públicos, dinheiro esse que lhes garante uma vida de ostentação. Riem de suas próprias vítimas e pior, intimidam Juízes que devem julgá-los. De repente o julgador passou a ser chamado de incompetente, simplesmente por ter cumprido com o seu dever de julgar e determinar a sentença justa. O Supremo Tribunal Federal, ao interpretar a Constituição, vai e volta em suas decisões. Ora condena e manda prender, ora solta e anula todo um processo. Pior: os condenados soltos se apresentam como inocentes e vítimas, merecedores de vultuosas indenizações por parte de quem os investigou, julgou e condenou. O Povo jamais compreenderá essa inversão, mesmo que juridicamente sustentada.
Os Deputados e os Senadores que formam o Congresso Nacional são os legítimos representantes do Povo, bem ou mal, eleitos pelo voto direto e livre. Grande parte deles certamente nunca mais será reeleita, porque decepcionam a cada sessão os cidadãos que a acompanha e a assiste em sua missão de legislar. Enquanto se afirma que o Executivo é ilegítimo, mas não se promove com zelo e sensibilidade política o bem comum, devolvendo aos brasileiros a dignidade que lhe foi devorada por bilhões de desvios de verbas provenientes de corrupção, propina e tantos outros crimes revelados pela Operação da Lava Jato, por exemplo, não se tem moral e muito menos direito de “parar” a vida do Povo que já paga os impostos mais altos do mundo.
Enquanto o Congresso só pensa no próprio umbigo, faz oposição por fazer, tenta obstruir a Justiça aos gritos e se comporta sem nenhum decoro parlamentar, é o Povo simples que sofre e é tratado como se não tivesse cérebro.
Penso que ninguém está acima da lei. O Estado Brasileiro judicializado tampouco tem garantido o lema de nossa Pátria: Ordem e Progresso! Precisamos de uma Reforma tanto política como judiciária urgente.

Mais do que processos criminais, prisões, delações premiadas e ferrenha oposição ao Governo, o Brasil precisa urgentemente reencontrar o caminho da esperança, a fim de que o Povo volte a acreditar em dias melhores numa das mais ricas Nações do mundo, explorada e roubada desde o seu descobrimento. A Cultura da Corrupção não tem seu início no Congresso e nos Cargos que nossos Políticos ocupam. Ela, a corrupção é uma cultura que nasce na educação de berço, entre as barganhas familiares, as negociatas entre pais e filhos. Pais comprando ao invés de cobrar deveres essenciais dos filhos, desde obter boas notas na escola ao colaborar nos pequenos serviços do lar. Enquanto a Família declinar à corrupção doméstica (O que vou ganhar com isso?), será sempre necessário que o Estado Brasileiro seja judicializado!

Pe. Gilberto Kasper
Teólogo 

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