Por um trânsito mais humano

Com a pandemia vimos um aumento considerável de motociclistas transitando em nossas cidades. Entregas a domicilio e as orientações de trabalhos “em casa” triplicaram o trânsito de motos, até porque foi a maneira que muitos brasileiros encontraram, de sobreviver aos “fechamentos e aberturas daqui e dali” do comércio e escritórios. São pessoas, nas maiorias jovens, que merecem nossa consideração e nosso apoio, porque obrigados a mudarem seus hábitos e suas maneiras de garantirem “o pão de cada dia” com tamanho sacrifício e destreza. Antes de tudo, registro meu respeito e minha admiração pelos motociclistas que tomaram conta das malhas viárias de nossa cidade.

No entanto não pudemos deixar de observar o grande risco que os mesmos motociclistas representam para si e para os demais transeuntes de nossas ruas, e principalmente nos cruzamentos com semáforos. Exige de nós um maior cuidado, porque as motos vêm de todos os lados, sem muitas vezes, observarem as regras que se lhes são impostas pelas leis de trânsito. Ultrapassam pela direita, vêm sem que sejam observados pelos retrovisores dos motoristas de automóveis e aparecem tantas vezes do nada, costurando o trânsito para que cheguem o mais rápido possível aos seus destinos. Muitos deles não observam os sinais dos semáforos, passando em sinal vermelho, cruzando as vias públicas, sem observarem os sinais de “Pare”, utilizando sem necessidade a buzina ou xingando motoristas que na visão deles os ameaçam, simplesmente por seguirem a risca os sinais de trânsito, por eles nem sempre observados. Transitar pelas ruas, geralmente, muito bem sinalizadas, tornou-se um risco iminente para motoristas, motociclistas e nem por último pedestres.

Por causa da pandemia não foi possível realizar a bênção dos motoristas no ano passado e nesse, diante da Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, na Avenida Saudade, 202 nos Campos Elíseos, evento ocorrido ao longo de dez anos, sob a intercessão de São Cristóvão, o Protetor dos Motoristas. Essa bênção sempre foi um grande apelo por um trânsito mais humano, civilizado, educado, respeitando, além dos sinais e das leis de trânsito, a pessoa transeunte do modo como se move pelas vias públicas da cidade. Sempre lembrando que “o trânsito de uma cidade, demonstra o grau de educação dos habitantes da mesma”! Mais uma vez fica a pergunta: “Somos um povo educado, civilizado”, ou nos comportamos como pessoas egoístas, violentas, agressivas, impacientes e mal educadas enquanto dirigimos nossos veículos de transporte, sejam esses automóveis, ônibus ou motos?

Ouvimos diariamente, pelas Redes Sociais, os números de pessoas ceifadas pela COVID-19, porém deixamos de observar os incontáveis óbitos causados pela imensa irresponsabilidade no trânsito de nossa cidade. Também não somos informados, ou mal informados, sobre o número assustador de pessoas, nas maiorias jovens, internados em nossos hospitais, muitos deles em estado grave, provenientes dos acidentes de trânsito. Quantos desses que ainda tinham algum trabalho passam a conviver com graves sequelas causadas por um trânsito tão perigoso, passando a depender de indenizações nem sempre razoáveis, engordando assim, a fila de pessoas com deficiências e dependentes de salários ínfimos da Previdência Social do País, já tão enfraquecida pelas demandas que lhe são impostas neste tempo de crise não apenas nacional, mas também mundial?

São Cristóvão proteja todos os motoristas, motociclistas e transeuntes de nossa cidade, incentivando-nos a todos, por um trânsito mais humano!

Pe. Gilberto Kasper
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Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente no CEARP – Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação, Pároco da Paróquia Santa Teresa D’ Ávila e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

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