Preparando os caminhos da Igreja (1989-2006)

Pe. Arnaldo. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Levar a Igreja a um novo tempo: Dom Arnaldo Ribeiro, o sexto arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto, assumiu essa responsabilidade ao buscar integrar os diversos meios sociais ao seu cuidado pastoral. Fomentando as vocações sacerdotais e a presença eclesial no extenso território arquidiocesano, deixou como suas características a unidade do clero e o incentivo ao povo católico à prática engajada da fé em suas paróquias.

Nascido no seio belo-horizontino, Arnaldo foi o primeiro filho de numerosa família católica. Vocacionado ao sacerdócio, ingressou no seminário quando contava com somente 11 anos e lá estudou até o final do decênio de 1940, quando foi enviado a Roma. Então, recebeu formalmente as ordens menores enquanto se licenciava em filosofia e teologia na Universidade Gregoriana. Ao cumprir a formação em 1954, foi ordenado presbítero na Basílica de São João de Latrão e regressou ao Brasil a fim de exercer o ministério em sua cidade.

Diversos serviços Pe. Arnaldo exerceu na Arquidiocese de Belo Horizonte, desde funções magistrais universitárias até o paroquiato. Foi prefeito do campus da Pontifícia Universidade Católica e, ainda, reitor do Seminário Provincial Coração Eucarístico de Jesus, quando trabalhou diretamente em contato com os seminaristas. Suas destacadas atividades o tornaram reconhecido no clero mineiro e, então, o Papa Paulo VI o elegeu bispo titular de Sicilibba e auxiliar em sua arquidiocese de origem. Ordenado em 27 de dezembro de 1975, adotou o lema inspirado em São João Batista: Parare vias Domini, versículo do texto bíblico cujo significado é “preparai os caminhos do Senhor”.

Sob a dignidade episcopal, Dom Arnaldo assiduamente atuou a fim de promover a catolicidade do povo de Belo Horizonte. Foi ele quem coordenou a comissão arquidiocesana que organizou a visita do Papa João Paulo II quando ele veio ao Brasil, preparando a recepção e as atividades do pontífice. Na Rádio América, durante a década de 1980, manteve um programa chamado Semente da Palavra, em que falava sobre espiritualidade e fé católica.

D. Arnaldo e o Papa João Paulo II em 1980. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Ademais, foi vigário episcopal das religiosas e coordenador de variadas pastorais, assim como no Tribunal Eclesiástico trabalhou como juiz e promotor, além de ser o vigário geral da Arquidiocese. Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), participava da comissão responsável pela tradução dos livros litúrgicos e era o oficial visitador dos seminários nas províncias eclesiásticas de Minas Gerais.

Ordenação do Pe. Gilberto Kasper. Imagem: Acervo pessoal.

Com a morte de Dom Romeu Alberti, o Colégio de Consultores foi convocado e elegeu o Pe. Nelson Costa dos Santos como administrador arquidiocesano. No entanto, não tardou para que se conhecesse o novo arcebispo: após apenas quatro meses de vacância, oficialmente se anunciava a nomeação de Dom Arnaldo Ribeiro para a Sé de Ribeirão Preto. Em 04 de março de 1989, diante da concentração de seus diocesanos e em solene celebração, ele tomou posse em seu ofício.

De pronto, Dom Arnaldo encontrou uma Igreja envolta na problemática da falta de sacerdotes. Com padres em atuação majoritariamente idosos e poucos jovens vocacionados ao presbiterato, não se supria a urgente necessidade das comunidades. Ele iniciou, então, um extenso trabalho vocacional a fim de formar padres para o presbitério diocesano. Ademais, buscou integrar laicato e clero nas atividades eclesiais desde o princípio de seu governo quando convocou já para novembro de 1989 uma Assembleia de Pastoral.

No primeiro semestre de 1990, completou sua primeira visita pastoral pelas 54 paróquias que compunham a Arquidiocese, indicando, então, um trabalho que deveria se voltar à pastoral urbana. Escreveu que a passagem por todas as cidades de sua circunscrição eclesiásticas se fazia necessária “a fim de que todos tenham a consciência de que a Igreja Particular de Ribeirão Preto não se limita à cidade sede da Arquidiocese e que o Arcebispo é o Pastor de todos” (Livro Tombo de D. Arnaldo Ribeiro, nº 01, p. 16v).

Audiência com o Papa em 8.10.2001. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Dom Arnaldo ordenou os primeiros padres entre 1989 e 1991, já os enviando à atuação pastoral. Aos poucos, o trabalho vocacional apresentou resultados positivos e os seminários começaram a ter mais jovens que se preparavam para a vida sacerdotal. Côn. Francisco de Assis Correia explica, em História da Arquidiocese de Ribeirão Preto (1908-2008) que “no período de sua administração, Dom Arnaldo, num primeiro momento, dedicou-se em prover as diversas paróquias sem sacerdotes residentes, embora sentisse a necessidade urgente de criar novas paróquias” (p. 341).

Em 1993, inaugurou o Seminário Menor São José, cujo propósito era acolher vocacionados e integrá-los à vivência comunitária, além de inseri-los às introdutórias disciplinas filosóficas e teológicas. Dois anos depois, reativou o curso de filosofia no Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (CEARP) e intitulou-o de Instituto de Filosofia Dom Felício.

Celebrando nas Catacumbas de São Sebastião em Roma. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Dom Arnaldo preparou a Arquidiocese para um novo tempo. O Projeto Rumo ao Novo Milênio contava com as instruções pontifícias e as orientações da CNBB para a evangelização a partir das demandas sociais e culturais que surgiam. Nessa perspectiva, conforme a quantidade de padres que integravam o presbitério diocesano ia crescendo, as criações de paróquias se concretizavam. Nessa intenção, foram criadas 29 paróquias por mandado de Dom Arnaldo, além de ele haver elevado duas igrejas a santuários arquidiocesanos. Em 2000, uma nova organização das vigararias ocorreu, de modo que na cidade episcopal passaram a existir seis foranias e, no interior, quatro.

D. Arnaldo em seu Jubileu de Ouro Sacerdotal. Imagem: Museu do Seminário Maria Imaculada – Brodowski.

Dom Arnaldo insistentemente buscou preservar a história arquidiocesana. Realizou tratativas com os órgãos públicos com a intenção de reaver o acervo eclesiástico de cunho histórico que ficou sob a guarda destes, além de restaurar a Catedral Metropolitana e reformar a Casa de Retiros Dom Luís. Ademais, sua pastoral não estava desassociada à dimensão social, tendo ele assumido em seu governo a proposta contra a miséria e a fome em conformidade com a Igreja no Brasil.

Ao cumprir 75 anos, em 2005, Dom Arnaldo apresentou ao Papa Bento XVI seu pedido de renúncia ao ofício de arcebispo, de acordo com o que manda o direito canônico. De fato, a Igreja de Ribeirão Preto era outra depois dos 17 anos de seu governo. Ao partir como emérito para sua cidade natal, deixou ordenados pela imposição de suas mãos 82 padres e uma arquidiocese presente nos diversos meios urbanos. Desde 2006, viveu em Belo Horizonte, onde faleceu em 2009. Jaz em uma cripta privada situada em frente à capela do Santíssimo Sacramento na Catedral Metropolitana de São Sebastião em Ribeirão Preto.

Bruno Paiva Meni
Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”

FONTES

ARQUIVO METROPOLITANO “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”. Arquidiocese de Ribeirão Preto, Cúria Metropolitana, Caixa 8.

CORREIA, Côn. Francisco de Assis. História da Arquidiocese de Ribeirão Preto (1908-2008). Editora Grafcolor, 2008.

LIVRO TOMBO N° 2 DE D. ARNALDO RIBEIRO. Arquidiocese de Ribeirão Preto, Cúria Metropolitana. Arquivo Metropolitano “Dom Manuel da Silveira D’Elboux”.

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