Ressurreição de Cristo: acontecimento real

O “Documento Final da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos: Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação, missão”, publicado em 24 de novembro de 2024, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, pelo saudoso Papa Francisco, reúne os frutos da escuta sinodal das duas sessões sinodais, a primeira em outubro de 2023, e a segunda em outubro de 2024. Estamos agora na fase de implementação do Documento Final nas Igrejas Locais que culminará com uma Grande Assembleia Eclesial em 2028. Por isso, vamos caminhar juntos em uma série de reflexões e nos debruçar sobre este importante documento, que é um dos subsídios do processo de realização da nossa 16ª Assembleia Arquidiocesana de Pastoral, onde realizamos a I Sessão, em 15 de outubro de 2025, e agora estamos próximos da II Sessão, que será realizada em 29 de agosto deste ano. Neste primeiro texto vamos refletir a “Nota e acompanhamento do Papa Francisco” e a “Introdução do Documento Final do Sínodo”.

O Papa Francisco, grande incentivador da sinodalidade, valorizou o amplo processo de escuta que deu origem ao Documento Final do Sínodo, em 2024: “O caminho sinodal, iniciado nas Igrejas Locais, passou depois pelas fases nacional e continental, até chegar à celebração da Assembleia do Sínodo dos Bispos nas duas sessões de outubro de 2023 e outubro de 2024. Agora o caminho continua das Igrejas locais e seus agrupamentos, guardando o Documento Final que foi votado e aprovado pela Assembleia em todas as suas partes, no dia 26 de outubro (2024), juntando-se ao ‘nós’ da Assembleia que, por meio do Documento Final, se dirige ao Povo santo e fiel de Deus”. Francisco ainda acrescenta: “As Igrejas locais e os agrupamentos de Igrejas são agora chamados a pôr em prática, nos diversos contextos, as indicações autorizadas contidas no Documento, por meio de processos de discernimento e de decisão previstos pelo direito pelo próprio Documento”.

A “Introdução” do Documento Final reúne os números 1 a 12. O Documento Final é composto de cinco partes: A primeira parte: “O coração da sinodalidade” apresenta os fundamentos teológicos, espirituais e ilumina os temas emergidos na Primeira Sessão. A segunda parte: “Na barca, juntos”, trata da conversão das relações que constroem a comunidade cristã. Na terceira parte: “Lançai a rede” são identificadas três práticas estreitamente unidas: discernimento eclesial, processos de decisão e cultura da transparência. “Uma pesca abundante” é o tema da quarta parte, e propõe o cultivo de novas formas de intercâmbio e entrelaçamento de vínculos na unidade da Igreja. A quinta e última parte: “Também eu vos envio”, consiste num passo indispensável: cuidar da formação do povo de Deus. O Documento Final segue os relatos evangélicos da ressurreição: “A corrida ao túmulo na madrugada de Páscoa, a aparição do Ressuscitado no Cenáculo e na margem do lago inspiraram o nosso discernimento e alimentaram o nosso diálogo. Invocamos o dom pascal do Espírito Santo, pedindo-lhe que nos ensinasse o que devemos fazer e nos mostrasse o caminho a seguir, todos juntos” (n. 12).

A epígrafe da Introdução “Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: ‘A paz esteja convosco’. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, se alegraram por ver o Senhor” (Jo 20, 19-20), nos ajuda a compreender o caminho sinodal como um retorno à fonte, a experiência renovada do encontro com o Ressuscitado, vivida pelos discípulos na noite de Páscoa. A Assembleia Sinodal nos convida a viver a experiência do encontro com o Cristo Ressuscitado: “Vivendo a conversa no Espírito, escutando-nos uns aos outros, percebemos a sua presença entre nós: a presença daquele que, ao conceder o Espírito Santo, continua a suscitar no seu Povo uma unidade que é harmonia das diferenças” (n. 1).

A contemplação do Ressuscitado recorda que ‘na sua morte fomos batizados’ (Rm 6,3), e nos leva a enxergar as feridas a sangrar em muitos de nossos irmãos e irmãs, e assim condenar a lógica da violência e da vingança, e promover a lógica do diálogo e da reconciliação: “Fixar o olhar no Senhor não afasta dos dramas da história, mas abre os olhos para reconhecer o sofrimento que nos rodeia e nos atravessa: os rostos das crianças aterrorizadas pela guerra, o choro das mães, os sonhos desfeitos de tantos jovens, os refugiados que enfrentam viagens terríveis, as vítimas das alterações climáticas e das injustiças sociais. O seu sofrimento ressoou no meio de nós não só através dos meios de comunicação social, mas também nas vozes de muitos, pessoalmente envolvidos com as suas famílias e povos nestes trágicos acontecimentos. Nos dias em que estivemos reunidos nesta Assembleia, muitas, demasiadas guerras continuaram a causar morte e destruição, desejo de vingança e perda das consciências” (n. 2).

Contemplar o ressuscitado fortalece a nossa identidade batismal e o apelo à alegria e à renovação da Igreja no seguimento do Senhor, e na missão: “Este apelo baseia-se na identidade batismal comum, enraíza-se na diversidade dos contextos em que a Igreja está presente e encontra a sua unidade no único Pai, no único Senhor e no único Espírito. Interpela todos os batizados, sem exceção: ‘Todo o Povo de Deus é o sujeito do anúncio do Evangelho. Nele, cada Batizado é convocado para ser protagonista da missão, porque todos somos discípulos missionários’ (CTI, n. 53). O caminho sinodal orienta-nos assim para uma unidade plena e visível dos Cristãos, como testemunharam, com a sua presença, os delegados das outras tradições cristãs. A unidade fermenta silenciosamente no seio da Santa Igreja de Deus: é profecia de unidade para todo o mundo” (n. 4).

O caminho sinodal seguiu a Tradição da Igreja à luz do magistério conciliar, portanto, concretiza aquilo que o Concílio Vaticano II ensinou sobre a Igreja como Mistério do Povo de Deus, “chamado à santidade por uma conversão contínua que vem da escuta do Evangelho” (n. 5). Mas, na caminhada experimentamos o cansaço, o desânimo, a resistência às mudanças, a tentação de fazer prevalecer as nossas ideias sobre a escuta da Palavra de Deus e do discernimento. “É por isso que queremos uma Igreja misericordiosa, capaz de partilhar com todos o perdão e a reconciliação que vem de Deus: pura graça da qual não somos donos, mas apenas testemunhas” (n.6).

A metodologia da “Conversa no Espírito” é um dos frutos preciosos já aplicados na caminhada sinodal nas paróquias, pastorais, movimentos, comunidades religiosas, onde “cresce a prática da conversa no Espírito, do discernimento comunitário, da partilha dos dons vocacionais e da corresponsabilidade da missão (n. 7). O processo sinodal continua, e somos chamados a sermos animadores missionários da sinodalidade: “Pedimos a todas as Igrejas locais que continuem o seu caminho quotidiano com uma metodologia sinodal de consulta e discernimento, identificando caminhos concretos e percursos formativos para realizar uma conversão sinodal palpável nas várias realidades eclesiais (Paróquias, Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, Agregações de Fiéis, Dioceses, Conferências episcopais, agrupamentos de Igrejas, etc.). Deverá também ser prevista uma avaliação dos progressos realizados em termos de sinodalidade e de participação de todos os Batizados na vida da Igreja” (n. 9).

Que o Tempo Pascal nos ajude a caminhar juntos numa Igreja Sinodal.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

 

Boletim Informativo Igreja-Hoje
Abril/2026

Veja também:

Ressurreição de Cristo: acontecimento real

O “Documento Final da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos: Por uma Igreja Sinodal: comunhão, participação, missão”, publicado em 24 de novembro de 2024, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, pelo saudoso Papa Francisco, reúne os frutos da escuta sinodal das duas sessões sinodais

Padres e diáconos participam do primeiro encontro geral do Clero de 2026

Os padres, diáconos permanentes, e diáconos transitórios da Arquidiocese de Ribeirão Preto, estiveram reunidos nos dias 17 e 18 de março, no auditório da Casa Dom Luís, em Brodowski, sob a presidência do arcebispo metropolitano, dom Moacir Silva, no primeiro Encontro Geral do Clero de 2026