Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032)

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032)

A Conferência Nacional dos Bispos de Brasil – CNBB, de 15 a 24 de abril de 2026, realizou a sua 62ª Assembleia Geral Ordinária, em Aparecida (SP), junto ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Foram dias de reflexão, de estudos, de partilha de experiências, de oração e celebrações.

O tema central desta Assembleia foi as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE). A elaboração deste texto foi um profundo trabalho sinodal, marcado por muita escuta e discernimento. O texto que trabalhamos durante a Assembleia já havia passado por mais de 20 redações. Na Assembleia vivemos ainda um processo de escuta e discernimento final. A Assembleia também alterou o tempo de vigência das DGAE, passando de 4 para 6 anos.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2026-2032) tem o seguinte Objetivo Geral:

“Evangelizar,
anunciando Jesus Cristo,
como Igreja sinodal,
sustentada pela Palavra
e pelos Sacramentos,
em comunidades de
discípulos missionários,
fiel à evangélica opção
preferencial pelos pobres,
a caminho da plenitude do Reino de Deus”.

Estrutura o texto das DGAE o Objetivo Geral, a Introdução e 6 Capítulos. A introdução deixa uma indicação muito importante: estas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) são o principal instrumento de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade e devem ser lidas nesse horizonte.

O capítulo I “A Igreja: tenda do encontro”, mostra que a Igreja é Tenda do Encontro aberta a todos, por ser também hospital de campanha, acolhe com especial cuidado os estrangeiros, expatriados, miseráveis ou aqueles cujas feridas são interiores. Ela é, nos desertos existenciais, em nome de Jesus Cristo, a proteção e o lugar da renovação das forças e das esperanças, por meio do anúncio do Evangelho, do dispensar da misericórdia, da profecia da caridade em meio à indiferença. A Igreja é, assim, a Tenda do Encontro com Jesus, abrigo seguro em meio às tempestades da vida.

O capítulo II, nos convida “A escuta dos sinais dos tempos”. Para viver a missão, é necessário que a Igreja saiba perceber os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo atraente, em cada geração, às eternas perguntas dos seres humanos acerca do sentido da vida presente e da futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu caráter tantas vezes dramático.

Reconhecemos os sinais esperançosos que marcam nossa evangelização, tais como, os muitos fiéis que se reúnem para santificar o Dia do Senhor; o significativo número de cristãos leigos e leigas engajados nas comunidades eclesiais; a solidariedade dos fiéis diante dos flagelos de toda ordem, situações de pobreza, violência e injustiça (27). Além desses sinais de esperança, há também algumas situações que persistem e continuam desafiando a evangelização e a transmissão da fé no Brasil.

O capítulo III nos exorta ao “Discernimento para uma Igreja Sinodal”. A sinodalidade é a concretização da eclesiologia de comunhão afirmada pelo Concílio Vaticano II. Para viver melhor a sinodalidade, é preciso que sejamos capazes de acolher e entender nossas diferenças – de pensamentos, concepções e carismas – como dons a serviço do bem de todos, não como ameaças. Não alcançaremos a sinodalidade uniformizando pensamentos e identidades, mas abrindo-nos à escuta da Palavra e do Espírito, à escuta uns dos outros e ao diálogo generoso em favor de propósitos comuns – dos quais o maior e principal é a evangelização. Tampouco é necessário abolir o que é próprio das vocações específicas, como a autoridade própria do ministério hierárquico, por exemplo, mas é imprescindível que sejam vividas em chave de sinodalidade, comunhão e serviço.

O Sínodo sobre a Sinodalidade indicou três atitudes que são assumidas nestas Diretrizes como pontos de partida para a autêntica vivência da sinodalidade: comunhão, participação e missão. A comunhão indica a realidade mais íntima da Igreja, pela qual ela participa da vida de Deus, Uno e Trino. A participação é a forma como a comunhão é vivida na história, tendo seu fundamento na dignidade batismal, supondo processos que envolvam o conjunto dos fiéis na tomada de decisões, na realização da missão e na prestação de contas e avaliação. A missão está a serviço do anúncio do Reino de Deus que já está entre nós e que virá, fazendo da Igreja um sinal concreto dele na história e sendo seu eixo fundamental. O Documento Final do Sínodo mostra que, para viver a comunhão, a participação e a missão, a Igreja precisa acolher o apelo do Espírito Santo à conversão pessoal em vista da conversão pastoral.

O capítulo IV nos recorda que somos o “Povo de Deus em Missão”. Sabemos que a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo. A missão brota do próprio coração da Trindade, de onde o Pai envia o Filho e, com ele, derrama o Espírito sobre a Igreja. Nessa dinâmica de amor e envio, a Igreja encontra sua identidade e razão de existir.

A Igreja local é sujeito da missão na comunhão de carismas e ministérios de seus membros. A corresponsabilidade de cada batizado fundamenta-se no sacerdócio comum dos fiéis, que, por sua vez, representa uma das ênfases próprias do Concílio Vaticano II, que afirmou a identidade da Igreja como Povo de Deus. Neste povo, pelo Batismo, todos têm igual dignidade e participam do sacerdócio de Cristo, embora cada um seja chamado a uma forma específica de participação.

O capítulo V nos apresenta os “Caminhos da missão”. Os caminhos da missão são modos concretos de armar a tenda no hoje da história, não apenas ações, para que nela todos encontrem lugar, sentido e envio na missão. São eles: (1) Animação Bíblica da Pastoral; (2) Iniciação à Vida Cristã; (3) Comunidade de discípulos missionários; (4) Liturgia e Piedade Popular; e (5) Serviço à vida plena para todos. Para cada caminho, o nosso texto apresenta as indicações pastorais.

O capítulo VI nos convoca para os “Compromissos sinodais”, que passam pela conversão das relações, conversão dos processos e conversão dos vínculos. A Igreja é chamada a firmar suas estacas na conversão e a reordenar seus espaços para melhor servir à missão. Nela, as relações são curadas para gerar comunhão, os processos são purificados para favorecer a participação e os vínculos são alargados para tecer a fraternidade que ultrapassa fronteiras. Assim, sustentada pelo Espírito, a tenda se torna lugar onde cada dom é colocado a serviço e toda a comunidade cresce na missão. Numa “mudança de época”, a Igreja no Brasil quer assumir seus cinco caminhos evangelizadores – Animação Bíblica da Pastoral, Iniciação à Vida Cristã, Comunidades de Discípulos Missionários, Liturgia e Piedade Popular e Serviço à vida plena para todos – dentro de processos e estruturas verdadeiramente sinodais, marcados pela comunhão, participação e missão.

Convido todos os fiéis que constituem a nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto para uma recepção criativa das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DGAE.

Dom Moacir Silva
Arcebispo Metropolitano

Boletim Informativo Igreja-Hoje
Maio/2026

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